Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou detalhes estarrecedores sobre o estupro coletivo de uma adolescente de 13 anos em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O crime, que chocou o estado, foi motivado por um erro de identificação cometido por traficantes que submeteram a menor ao chamado “tribunal do tráfico”.
O Sequestro e a “Sentença”
O crime teve início na última segunda-feira (2), quando a vítima estava em uma praça acompanhada de uma amiga. Ela foi abordada por homens armados e forçada a entrar em um veículo, sendo levada para a localidade conhecida como “Predinhos”, em Vilar dos Teles.
De acordo com a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), a jovem morava próximo à comunidade Trio do Ouro, área explorada pelo Terceiro Comando Puro (TCP). Os criminosos a confundiram com a namorada de um traficante da facção rival, o Comando Vermelho (CV), e a sentenciaram ao estupro coletivo como forma de punição.
A Violência e a Liberação por Telefone
A brutalidade do crime envolveu sete pessoas, incluindo uma mulher que ajudou a segurar a vítima e um adolescente infrator. Durante a sessão de agressões, a menina foi atingida por um tiro de raspão na cabeça e sofreu constantes ameaças de morte contra sua família caso denunciasse o ocorrido.
A adolescente só foi liberada com vida porque, em meio às agressões, um dos criminosos recebeu uma ligação telefônica. Foi nesse momento que o grupo percebeu o “mal-entendido” e constatou que ela não era o alvo pretendido.
Operação Policial e Suspeitos Identificados
Na manhã de quarta-feira (11), a Polícia Civil deflagrou uma operação para prender os envolvidos. As investigações identificaram os seguintes adultos:
- Samir Luan Evangelista dos Santos
- Matheus Eduardo da Silva Fernandes
- Kalayne Aparecida Nascimento Teixeira
- Fábio Rayan Santos de Jesus
- Wellington de Medeiros da Silva: preso em um hospital após ser espancado por outros criminosos.
Dos outros envolvidos, um foi morto por bandidos antes da ação policial e um mandado de busca e apreensão foi expedido para o adolescente que participou da barbárie.
Estado de Saúde
A prefeitura de São João de Meriti informou que a jovem recebeu atendimento pediátrico, acolhimento psicossocial e tratamento preventivo. O prefeito Léo Vieira classificou o caso como uma “atrocidade” e garantiu que a equipe de saúde está dando suporte total à família, visto que a vítima também sofreu agressões físicas graves na cabeça.