“É Muito Pior do que Imaginávamos” – 7 Fatos Importantes Sobre Suicídio

O recente caso do adolescente de apenas 14 anos que foi encontrado sem vida pela família (e que até o momento é tratado como suicídio) é impactante, desconfortável e mais do que nunca um tópico “atual” e urgente. Diante disso abre-se margem para uma discussão fundamental, que infelizmente não é tratada com a seriedade que merece.


Caro leitor, sei que o momento é de luto e dês de já prestamos toda solidariedade à família do adolescente.

O suicídio é um tema sério, complexo e em geral tratado de forma superficial pela mídia. No vídeo “7 Fatos sobre Suicídio”, o psiquiatra e pesquisador Fernando Fernandes apresenta dados fundamentais para compreender o problema e, principalmente, como preveni-lo.

1. Suicídio é, antes de tudo, uma questão médica

Embora envolva aspectos filosóficos, sociais e até religiosos, o suicídio está fortemente associado a transtornos psiquiátricos.

Segundo o especialista, cerca de 90% das pessoas que cometem suicídio tinham ou poderiam ter recebido diagnóstico de algum transtorno mental, sendo os mais comuns:

  • Depressão
  • Transtorno bipolar
  • Esquizofrenia
  • Dependência de álcool e outras substâncias

Isso reforça que o suicídio não deve ser tratado apenas como um “ato isolado”, mas como parte de um quadro de saúde que pode e deve ser identificado e tratado.


2. Alguns sintomas aumentam o risco

Nem todo transtorno psiquiátrico apresenta o mesmo risco. Alguns fatores elevam significativamente a vulnerabilidade, como:

  • Gravidade do quadro clínico
  • Ansiedade intensa
  • Instabilidade emocional
  • Impulsividade
  • Desesperança (um dos fatores mais preocupantes)

A desesperança é destacada como um dos sinais mais críticos, pois está diretamente ligada à percepção de que não há saída possível para o sofrimento.


3. Trata-se de um problema de saúde pública

No Brasil, aproximadamente 5,7 pessoas a cada 100 mil habitantes morrem por suicídio por ano.

Apesar de parecer um número pequeno, o impacto social é enorme, maior, por exemplo, do que algumas doenças amplamente discutidas na mídia. O suicídio afeta famílias, comunidades e redes inteiras de convivência.


4. O problema é subestimado

O psiquiatra utiliza a metáfora do “iceberg” para ilustrar a situação:

  • Para cada pessoa que busca pronto atendimento após uma tentativa, outras três tentaram e não procuraram ajuda.
  • Para cada tentativa registrada, cerca de 17 pessoas estão pensando em suicídio.

Ou seja, o que aparece nas estatísticas é apenas a parte visível de um problema muito maior.


5. Existem grupos com maior risco

Alguns grupos demandam atenção especial:

  • Homens: morrem mais por suicídio.
  • Mulheres: tentam mais, mas utilizam métodos menos letais.
  • Jovens e idosos: ambos são grupos de risco (nos idosos, a letalidade costuma ser maior).
  • Pessoas com dependência química associada a outros transtornos.
  • Pessoas com doenças crônicas e dolorosas, especialmente quando combinadas com depressão.

A associação entre múltiplos fatores aumenta significativamente o risco.


6. Vínculos são fatores de proteção

Um dos pontos centrais do vídeo é a importância dos vínculos sociais.

Laços familiares, amizade, trabalho, responsabilidades e redes de apoio funcionam como fatores protetores.

Por outro lado, isolamento social, desemprego, solidão e fragilidade nos relacionamentos podem ampliar o risco, especialmente quando combinados a sofrimento emocional.


7. O suicídio pode ser prevenido

O fato mais importante apresentado é que o suicídio tem prevenção.

A intervenção começa com algo simples, mas poderoso: ouvir.

Algumas orientações destacadas:

  • Ofereça escuta ativa e empática.
  • Permita que a pessoa fale sobre seu sofrimento.
  • Se houver indícios, pergunte diretamente sobre pensamentos de autolesão.
  • Identificado risco iminente, busque ajuda profissional e apoio familiar, mesmo que isso signifique romper a confidencialidade para preservar a vida.

Perguntar sobre o assunto, ao contrário do que muitos temem, não incentiva, pode proteger.


Conclusão

É evidente que o assunto é muito mais complexo e profundo, e apenas dados e estatísticas não são suficientes para coloca-lo em evidência. Quando se fala em vida humana (principalmente quando as principais vítimas são crianças) é fundamental tratar o assunto com delicadeza. Muito mais do que um problema de saúde pública, vemos aqui um problema com fatores socioambientais, existenciais e culturais.

Ainda há muito que ser discutido no tocante ao tema, porém, que estejamos todos sensibilizados ao ver esse tipo de noticia. Que possamos deixar de tratar somente como “mais um número” e trazer a discussão que vai muito além de um mês do ano (setembro), mas está presente no cotidiano de todos.

Assista o vídeo completo no canal do Youtube

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