Ministro do STF revela estrutura de intimidação ligada ao Banco Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, trouxe a público detalhes graves sobre o funcionamento interno do Banco Master. De acordo com a decisão que determinou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro nesta quarta-feira, o grupo mantinha uma organização dedicada exclusivamente à vigilância e coação de pessoas consideradas adversárias. Essa estrutura, apelidada de “A Turma”, era usada para monitorar concorrentes, ex-empregados e até jornalistas.

As investigações da Polícia Federal apontam que o esquema ia muito além da intimidação. Vorcaro mantinha uma relação próxima com servidores estratégicos do Banco Central, que atuavam como consultores informais passando informações privilegiadas ao grupo. O rombo financeiro estimado é gigantesco: o Fundo Garantidor de Crédito calcula que os valores necessários para ressarcir clientes prejudicados podem ultrapassar a marca de R$ 50 bilhões, o que tornaria esta a maior fraude bancária da história do Brasil.

Detalhes da organização criminosa

A estrutura contava com nomes específicos para funções de confiança. Além do banqueiro, outras três pessoas tiveram a prisão preventiva decretada para garantir a ordem pública e a continuidade das investigações.

  • Fabiano Zettel: Cunhado de Vorcaro e responsável pela contabilidade informal. Ele era quem realizava os pagamentos para manter o grupo de monitoramento em operação.
  • Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão: Conhecido como “Sicário”, era o braço executor das atividades de campo. As mensagens interceptadas mostram que ele recebia pagamentos mensais de R$ 1 milhão para neutralizar situações sensíveis ao banco.
  • Corrupção no Banco Central: Dois ex-servidores da instituição são citados como peças-chave no fornecimento de dados sigilosos que ajudavam o Master a se proteger de fiscalizações.

Conclusão

A prisão de Daniel Vorcaro e sua cúpula marca um ponto de virada na investigação que agora corre sob a relatoria do ministro André Mendonça. O caso chegou ao STF devido à suspeita de participação de autoridades com foro especial, embora nenhum político tenha sido formalmente acusado até o momento. A estratégia da justiça agora foca em desmantelar a rede de influência que permitiu que uma fraude desse tamanho passasse despercebida por tanto tempo. É um momento de vigilância para o sistema financeiro nacional, reafirmando que nenhuma instituição está acima da lei ou pode usar a força para silenciar críticas.

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