O governo ucraniano, por meio de seu encarregado de negócios no Brasil, Oleg Vlasenko, manifestou profunda preocupação com a postura da diplomacia brasileira frente à invasão russa. O ponto de maior tensão foi a sugestão recente de Lula para que a Ucrânia tivesse “coragem” de ceder territórios invadidos para alcançar a paz, o que foi recebido em Kyiv como uma adesão direta ao discurso de Moscou.
De acordo com Vlasenko, a Rússia não possui interesse real em cessar fogo, utilizando as mesas de negociação apenas como ferramenta de propaganda para aliviar sua imagem internacional enquanto prepara novas ofensivas militares para a primavera.
O recrutamento de brasileiras para a “Fábrica da Morte”
Em um dos pontos mais alarmantes revelados na entrevista à revista Crusoé, o diplomata ucraniano denunciou um esquema de recrutamento que estaria ocorrendo em Curitiba:
- O local: Uma fábrica russa conhecida como Alabuga Start, apelidada de “fábrica da morte”, onde drones são produzidos em massa.
- O recrutamento: O Cônsul Honorário da Rússia em Curitiba, Acef Antonio Said, teria promovido reuniões para contratar mulheres brasileiras de 18 a 22 anos para trabalhar nessa instalação russa.
- A omissão: A Ucrânia afirma ter levado o caso ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, mas até o momento não houve qualquer reação ou investigação oficial por parte das autoridades brasileiras.
Drones iranianos e a produção russa
Sobre a influência do Irã no conflito, Vlasenko foi enfático ao dizer que Moscou já não depende mais do fornecimento direto de Teerã. A Rússia conseguiu internalizar a tecnologia dos drones Shahed e agora os produz em escala industrial dentro de seu próprio território, tornando os ataques cada vez mais frequentes e letais contra cidades como Pokrovsk e Myrnograd.
Perspectiva Diplomática
A ausência de um embaixador ucraniano em Brasília é um sinal claro de que Zelensky não vê, no atual governo brasileiro, um mediador imparcial. Para Kyiv, aceitar as condições impostas por Putin seria um retorno ao imperialismo do século XIX, onde nações menores são tratadas apenas como zonas de controle de grandes potências, algo que contradiz a própria defesa histórica da soberania nacional feita pelo Itamaraty no passado.