Sicário vazou documentos sigilosos do MPF para Vorcaro após alerta do Banco Central

Novas revelações da Polícia Federal (PF) apontam que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teve acesso a investigações confidenciais do Ministério Público Federal (MPF) poucos dias após o Banco Central (BC) comunicar indícios de crimes financeiros. Segundo apurações divulgadas pelo jornal O Globo, o fluxo de informações privilegiadas ocorreu de forma cirúrgica para proteger as operações do banco.

O cronograma do vazamento é revelador. Em 15 de julho do ano passado, o Banco Central notificou o MPF sobre possíveis irregularidades na cessão de créditos inexistentes ao Banco de Brasília (BRB). No dia 23 de julho, o sistema do MPF foi acessado indevidamente com buscas específicas pelos nomes de Vorcaro, Nelson Tanure e Banco Master. No dia seguinte, os arquivos já estavam no celular do banqueiro.

A função do braço de inteligência

O material foi repassado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo codinome Sicário. Para os investigadores da PF, ele funcionava como o operador tático do grupo, responsável por:

  • Obter informações confidenciais em órgãos de fiscalização.
  • Monitorar pessoas e autoridades consideradas adversárias do Banco Master.
  • Atuar na remoção de conteúdos negativos em redes sociais e portais de notícias.

A conexão com o Governo do Distrito Federal e o TCU

Além dos vazamentos do MPF, a perícia no celular de Vorcaro encontrou uma minuta de documento intitulada TCU mora excessiva. O arquivo, criado em agosto de 2025, trazia uma proposta de decisão para que o Tribunal de Contas da União suspendesse os vetos do Banco Central contra o Master.

O teor desse documento é praticamente idêntico ao pedido que o Governo do Distrito Federal (GDF) apresentou ao TCU pouco tempo depois. Na ocasião, o GDF tentava reverter a decisão técnica da autoridade monetária que barrou negócios entre o Master e o BRB. Auditores do próprio tribunal de contas criticaram a movimentação, sinalizando uma tentativa de interferência política para sobrepor interesses particulares às decisões técnicas de regulação bancária.

Os relatórios do Banco Central reforçam que o grupo utilizava uma complexa cadeia de fundos de investimento para lavar dinheiro e dar aparência legal a desvios de recursos e gestão fraudulenta.

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