Islamabad entra em lockdown total para negociações históricas entre Estados Unidos e Irã

A capital do Paquistão, Islamabad, transformou se em uma verdadeira fortaleza nesta sexta feira (10). O governo local decretou feriado público e impôs um bloqueio total no centro da cidade para garantir a segurança das delegações que buscam colocar um fim definitivo na guerra. Uma zona vermelha de três quilômetros foi estabelecida ao redor do hotel que servirá de sede para o encontro, com a Força Aérea paquistanesa preparada para escoltar a chegada do presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf.

A expectativa mundial recai sobre o sábado, quando o vice presidente norte americano JD Vance deve iniciar as conversas presenciais. O clima, no entanto, é de extrema desconfiança. Enquanto as autoridades se preparam para sentar à mesa, o Estreito de Ormuz permanece praticamente paralisado, desafiando as promessas do presidente Donald Trump de que o fluxo de petróleo seria normalizado imediatamente.

O impasse de Ormuz e a inflação global

Apesar do cessar fogo de dois dias ter interrompido os bombardeios diretos entre as potências, a economia mundial ainda sente o sufoco do bloqueio marítimo. Nas últimas 24 horas, apenas seis navios cruzaram o estreito, um número insignificante perto da média normal de 140 embarcações diárias. O resultado é sentido no bolso do consumidor: o barril de petróleo atinge a marca recorde de 150 dólares no mercado imediato da Europa e da Ásia.

Nesta sexta feira, os olhos dos analistas financeiros se voltam para os dados de inflação de março nos Estados Unidos. Este será o primeiro relatório oficial a mostrar o impacto real do conflito nos preços globais. O Irã agora exige o fim total das sanções econômicas e o reconhecimento de sua autoridade sobre a cobrança de taxas no estreito como condição para a paz definitiva.

Líbano: A guerra paralela que ameaça a trégua

Um dos maiores obstáculos para o sucesso das negociações em Islamabad é a situação no Líbano. Enquanto os Estados Unidos afirmam que o Líbano não está coberto pelo atual cessar fogo, o Irã insiste que a trégua deve ser regional. Horas após o anúncio da pausa nos combates, Israel realizou o maior ataque da guerra em solo libanês, resultando em mais de 250 mortes.

Em um movimento estratégico, o primeiro ministro Benjamin Netanyahu anunciou que abrirá uma frente de negociação separada com o governo libanês. O objetivo declarado de Israel é o desarmamento total do Hezbollah e o estabelecimento de uma zona de paz na fronteira norte. Por outro lado, o Hezbollah retomou os disparos de foguetes contra a cidade de Haifa, alegando que os ataques israelenses de quarta feira invalidaram qualquer promessa de pausa nos combates.

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