Ex-presidente do BRB é preso pela Polícia Federal em operação sobre crimes financeiros ligados ao Master

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta feira (16) uma nova fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex presidente do Banco de Brasília. O executivo é investigado por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A ação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, aponta que Costa teria ignorado normas de governança para facilitar negócios sem lastro com o Banco Master.

De acordo com as investigações, o ex presidente do banco público teria recebido seis imóveis de alto padrão como forma de propina. As propriedades, avaliadas em 146 milhões de reais, teriam sido entregues por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Dois desses empreendimentos estão localizados em Brasília e seriam a contrapartida para a facilitação de acordos financeiros que colocaram em risco o patrimônio do banco estatal.

O esquema envolvendo o Banco Master e o BRB

Paulo Henrique Costa assumiu a presidência do BRB em 2019 e, sob sua gestão, tentou concretizar a compra de uma participação relevante no Banco Master. A negociação foi apresentada como uma solução para uma crise na instituição privada, mas acabou vetada pelo Banco Central. O órgão regulador concluiu que o negócio não possuía viabilidade econômica e poderia transferir riscos excessivos para o banco público.

Além da tentativa de compra, a Polícia Federal investiga se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master. A suspeita é que os processos internos de análise e aprovação tenham sido corrompidos para beneficiar o grupo privado em troca de vantagens pessoais para a diretoria do banco público.

Detalhes da operação e outros alvos

A Polícia Federal cumpriu mandados no Distrito Federal e em São Paulo, focando em endereços ligados aos principais alvos e à sede do Master.

  • Paulo Henrique Costa: Encaminhado ao Complexo da Papuda após audiência de custódia.
  • Daniel Monteiro: Advogado do Master também preso preventivamente. Ele é apontado como o administrador dos fundos usados para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
  • Apreensões: Documentos e equipamentos eletrônicos foram recolhidos para perícia técnica.

Esta é a primeira vez que as autoridades falam abertamente em corrupção de agente público do Distrito Federal no âmbito das investigações sobre o relacionamento entre as duas instituições financeiras.

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