Gaeco desarticula fábrica de anabolizantes produzidos com óleo de cozinha no Paraná

Uma megaoperação do Gaeco revelou um cenário perturbador nos bastidores do mercado de alta performance no Paraná nesta quarta feira (15). A Operação Alquimia resultou na prisão de dez pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa que fabricava anabolizantes clandestinos em laboratórios improvisados. O grupo utilizava embalagens sofisticadas e rótulos de origem europeia falsa para conferir um caráter premium aos produtos, que eram vendidos por preços inflacionados em diversas cidades do estado.

As prisões e apreensões ocorreram em Maringá, Londrina, Arapongas e Santo Antônio da Platina. Durante a ação, que contou com o apoio da Tropa de Choque e da Vigilância Sanitária, uma farmácia foi fechada em Maringá por comercializar os itens ilegais. Além dos anabolizantes, os agentes encontraram uma estufa de maconha e apreenderam veículos de luxo. A Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros que somam 12 milhões de reais.

Banho maria e óleo culinário em injetáveis

A investigação, iniciada em abril de 2025, revelou detalhes chocantes sobre o processo de fabricação. O Ministério Público apurou que as substâncias eram manipuladas em ambientes domésticos sem qualquer controle sanitário ou higiene mínima. Em um dos locais invadidos, os policiais descobriram que os anabolizantes eram produzidos em fogões comuns utilizando a técnica de banho maria.

Para compor as fórmulas injetáveis, os criminosos misturavam óleos de cozinha e até óleos de massagem às substâncias químicas. O uso de designers e gráficas especializadas garantia que o consumidor final acreditasse estar adquirindo um produto importado e seguro, quando na verdade estava injetando misturas caseiras perigosas no corpo.

Distribuição em academias e clínicas de estética

A rede de distribuição era ampla e focada em locais de grande circulação de atletas e pessoas em busca de resultados rápidos. Os produtos eram comercializados principalmente em:

  • Academias de musculação
  • Centros de artes marciais
  • Clínicas de estética que prometiam tratamentos de alta performance
  • Varejo farmacêutico clandestino

O promotor responsável pelo caso destacou que o esquema operava há pelo menos cinco anos, colocando em risco a vida de centenas de usuários que buscavam melhoria estética mas recebiam produtos altamente contaminados e sem procedência garantida.

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