Estados Unidos, Ucrânia e Rússia iniciaram nesta sexta-feira (23) a primeira reunião trilateral desde o início da guerra para negociar o fim do conflito na Ucrânia, que se aproxima de quatro anos. A cúpula inédita acontece em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e segue até sábado.
O encontro marca a primeira vez em que representantes dos três países se sentam à mesma mesa para discutir diretamente um acordo de paz. Sob o governo de Donald Trump, os Estados Unidos assumiram o papel de principal mediador do conflito. Segundo autoridades norte-americanas, a questão territorial é o último grande impasse entre Kiev e Moscou.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta sexta-feira que o controle da região de Donbas, no leste do país, será o tema central das negociações. “O Donbas é uma questão fundamental. Ele será discutido no formato que as três partes considerarem adequado durante as reuniões de hoje e amanhã”, disse o presidente ucraniano em coletiva de imprensa on-line.
Antes do início da cúpula, o Kremlin voltou a exigir a anexação integral da região de Donbas como condição para encerrar a guerra. O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, afirmou que a retirada das tropas ucranianas da área é indispensável para qualquer acordo. “A posição da Rússia é conhecida. A Ucrânia deve deixar Donbas. Essa é uma condição muito importante”, declarou.
Peskov mencionou ainda uma chamada “fórmula Anchorage”, em aparente referência ao encontro entre Trump e Vladimir Putin realizado no Alasca em agosto, sinalizando que Moscou espera garantias políticas mais amplas para aceitar um acordo definitivo.
Até a última atualização desta reportagem, não havia detalhes completos sobre os termos discutidos em Abu Dhabi. A reunião não conta, neste primeiro momento, com a presença dos chefes de Estado. A delegação russa é liderada pelo almirante Igor Kostyukov. A Ucrânia enviou um grupo formado por diplomatas, autoridades civis e representantes da área de segurança. Os Estados Unidos são representados pelo enviado especial de Trump, Steve Witkoff, pelo assessor da Casa Branca Josh Gruenbaum e por Jared Kushner, genro do presidente.
Zelensky afirmou na quinta-feira que os documentos para encerrar a guerra estão “quase prontos” após um acordo preliminar com Trump sobre garantias de segurança que seriam oferecidas pelos Estados Unidos no período pós-guerra. Segundo ele, os russos precisam demonstrar disposição real para compromissos. Para Kiev, ceder territórios ainda sob controle ucraniano é inaceitável.
Em publicação na rede social X, Zelensky disse que as negociações com Trump sobre garantias de segurança foram concluídas durante um encontro entre os dois à margem do Fórum Econômico Mundial, em Davos. A reunião durou cerca de uma hora e, segundo autoridades norte-americanas, foi considerada produtiva. Os líderes discutiram o fornecimento de sistemas de defesa aérea e os avanços no processo de paz.
Na quinta-feira, Zelensky também criticou a postura de países europeus diante da guerra, alinhando-se ao discurso de Trump. “A Europa continua fragmentada. Apenas ações concretas criam uma ordem real. A independência da Ucrânia é essencial para a segurança futura do continente”, afirmou.
Paralelamente às negociações em Abu Dhabi, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, se reuniu com o presidente russo Vladimir Putin em Moscou, em um encontro realizado tarde da noite de quinta-feira. Segundo Witkoff, o acordo está próximo e apenas uma questão central ainda separa Rússia e Ucrânia.
Trump voltou a sugerir que o fim da guerra pode estar próximo. “Encerramos oito guerras e acredito que outra esteja muito perto do fim”, afirmou o presidente norte-americano, sem dar detalhes adicionais.