Irã reage a sanções da UE e classifica exércitos europeus como “grupos terroristas”

O Irã anunciou neste domingo (1º) que passará a considerar os exércitos de países europeus como “grupos terroristas”, em retaliação à decisão da União Europeia de classificar a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) como organização terrorista.

O anúncio foi feito pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, durante uma sessão legislativa marcada por forte simbolismo político. Parlamentares vestiram uniformes verdes da Guarda Revolucionária e entoaram cânticos como “Morte à América” e “Morte a Israel”.

“De acordo com o artigo 7º da lei sobre contramedidas à designação da Guarda Revolucionária como organização terrorista, os exércitos dos países europeus passam a ser considerados grupos terroristas”, afirmou Ghalibaf. Ele classificou a decisão da União Europeia como “irresponsável” e acusou o bloco de agir sob influência dos Estados Unidos e de Israel.

A União Europeia aprovou na última quinta-feira a inclusão da Guarda Revolucionária em sua lista de organizações terroristas. A medida foi motivada pela repressão violenta a protestos no Irã, que resultaram em milhares de mortes, além do apoio militar iraniano à Rússia na guerra contra a Ucrânia.

Com a decisão, ficam congelados os bens ligados à IRGC em território europeu, além da proibição de qualquer cooperação policial ou judicial com a entidade. Segundo o bloco europeu, “a repressão não pode ficar sem resposta” e regimes que reprimem violentamente sua própria população acabam “trabalhando para a própria queda”.

Em reação, as Forças Armadas iranianas classificaram a decisão da UE como “maliciosa e irresponsável”, elevando ainda mais a tensão diplomática entre Teerã e os países europeus.

Além da Guarda Revolucionária, as sanções europeias incluem 15 pessoas ligadas ao regime iraniano, entre elas o ministro do Interior, Eskandar Momeni, e o procurador-geral do país, Mohammad Movahedi-Azad. Também foram incluídas seis entidades acusadas de graves violações de direitos humanos, como órgãos de censura e controle digital do Estado iraniano.

A escalada retórica amplia o isolamento internacional do Irã e reforça o clima de instabilidade nas relações entre Teerã, Europa e aliados ocidentais.

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