O ano de 2026 começou quente e preocupante para o meio ambiente brasileiro. Após um 2025 de relativa trégua, o país registrou 4.571 focos de incêndio apenas no mês de janeiro, um salto alarmante de 45,7% em comparação ao mesmo período do ano passado. Os números, monitorados pelo Inpe, mostram que nenhum bioma foi poupado, mas a Amazônia continua sendo o principal alvo das chamas.
O estado do Pará lidera o ranking negativo, concentrando sozinho mais de mil focos de calor. Logo atrás aparecem Maranhão, Ceará e Piauí, evidenciando que o fogo não está restrito apenas à floresta densa, mas castiga severamente as áreas de transição e o semiárido. Por outro lado, estados como Amazonas e Acre registraram números baixos, enquanto o Distrito Federal passou o primeiro mês do ano sem ocorrências.
Essa escalada nos números interrompe uma trajetória de queda que o Brasil vinha mantendo desde o fim de 2024, ano que foi considerado um dos piores da década para o ecossistema brasileiro. Especialistas apontam que existe um ciclo psicológico e prático no campo: após grandes desastres, o produtor costuma ser mais cauteloso no ano seguinte. No entanto, o fôlego da redução parece ter acabado rápido demais, e o receio de queimar deu lugar a uma nova onda de incidentes.
Para tentar conter o avanço do fogo, o Governo Federal já havia declarado estado de emergência ambiental no ano passado e reforçou o orçamento para a contratação de brigadistas. Mesmo com mais botas no terreno e aeronaves de prontidão, a realidade dos dados mostra que o combate está longe de ser vencido.
O grande desafio agora é entender o que está alimentando essa alta tão precoce. Se em janeiro, mês que costuma ter chuvas em boa parte do país, o fogo já se alastra dessa forma, o sinal de alerta para o período de seca severa no meio do ano já está ligado. Para o cidadão comum, isso significa não apenas perda de biodiversidade, mas uma ameaça direta à saúde pública com a fumaça e o risco real de desequilíbrio climático afetando o preço dos alimentos no futuro próximo.
Dados de Focos de Incêndio por Estado
| UF | % | Focos de Incêndio |
| PA (Pará) | 22,84 | 1.044 |
| MA (Maranhão) | 21,66 | 990 |
| CE (Ceará) | 10,41 | 476 |
| PI (Piauí) | 5,49 | 251 |
| MT (Mato Grosso) | 5,36 | 245 |
| BA (Bahia) | 5,01 | 229 |
| RR (Roraima) | 4,79 | 219 |
| PE (Pernambuco) | 3,19 | 146 |
| TO (Tocantins) | 2,69 | 123 |
| MS (Mato Grosso do Sul) | 2,43 | 111 |
| MG (Minas Gerais) | 2,12 | 97 |
| SC (Santa Catarina) | 2,12 | 97 |
| PR (Paraná) | 1,79 | 82 |
| RN (Rio Grande do Norte) | 1,77 | 81 |
| PB (Paraíba) | 1,66 | 76 |
| AL (Alagoas) | 1,01 | 46 |
| SE (Sergipe) | 0,94 | 43 |
| RS (Rio Grande do Sul) | 0,83 | 38 |
| AP (Amapá) | 0,79 | 36 |
| GO (Goiás) | 0,77 | 35 |
| SP (São Paulo) | 0,72 | 33 |
| ES (Espírito Santo) | 0,48 | 22 |
| RJ (Rio de Janeiro) | 0,44 | 20 |
| AM (Amazonas) | 0,39 | 18 |
| RO (Rondônia) | 0,24 | 11 |
| AC (Acre) | 0,04 | 2 |
| DF (Distrito Federal) | 0,00 | 0 |
| TOTAL | 100% | 4.571 |
Fonte: BDQueimadas (INPE)