Ciência brasileira: substância extraída da placenta traz esperança para tetraplégicos

O que antes era considerado o fim de uma linha, a paralisia total após uma lesão na medula, está ganhando um novo e emocionante capítulo na medicina brasileira. Uma pesquisa liderada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o laboratório Cristália, está utilizando uma substância chamada polilaminina para religar a comunicação entre o cérebro e o corpo. Os resultados iniciais, obtidos em caráter experimental, beiram o inacreditável. Pacientes que não tinham perspectiva de movimento voltaram a sentir e a mexer partes do corpo em poucos dias.

A polilaminina é derivada de uma proteína encontrada na placenta humana. Na prática, ela atua como um estímulo para que os neurônios se regenerem após traumas graves, como acidentes de trânsito, quedas ou mergulhos em águas rasas. Recentemente, um jovem de 24 anos que ficou tetraplégico ao mergulhar em uma cachoeira no Espírito Santo surpreendeu os médicos. Apenas dez dias após receber a medicação, ele recuperou a sensibilidade até a altura do umbigo e retomou a força nos braços, algo raríssimo para o tipo de lesão que sofreu.

Outro caso que chama a atenção é o de Luiz Otávio, de 19 anos, morador de Mato Grosso do Sul. Ele foi baleado em outubro de 2025 e, mesmo após 110 dias do acidente, ultrapassando a janela ideal de 72 horas defendida inicialmente pelos cientistas, conseguiu autorização judicial para o tratamento. Seis dias depois da aplicação, Luiz já relatou conseguir movimentar um músculo da perna apenas com o comando da mente. Ao todo, 13 pessoas já passaram pelo procedimento no Brasil, acumulando relatos de pequenas, mas valiosas, vitórias motoras.

Apesar do entusiasmo, é importante manter os pés no chão porque o tratamento ainda não está disponível em hospitais e farmácias. A Anvisa aprovou recentemente o início da fase 1 dos estudos clínicos para garantir, acima de tudo, a segurança do uso em larga escala. A ciência brasileira agora corre contra o tempo para validar esses resultados e, quem sabe, transformar o Brasil no centro mundial de uma terapia que devolve não apenas movimentos, mas dignidade e autonomia a milhares de pessoas.

Com esse avanço significativo que já é visto como uma das maiores descobertas científicas do Brasil, surgem também novos questionamentos como acessibilidade do tratamento, decisões judiciais e a inclusão ou não do novo tratamento ao SUS.

Veja também