Rapper Oruam tem prisão decretada pelo STJ após 28 falhas em tornozeleira eletrônica

O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, teve sua prisão determinada nesta terça-feira pelo ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O magistrado decidiu revogar a liberdade provisória que ele mesmo havia concedido em setembro do ano passado. A decisão foi baseada em um relatório técnico preocupante que mostrou que o artista não cumpriu rigorosamente as regras do monitoramento eletrônico.

O monitoramento da tornozeleira de Oruam registrou 28 interrupções de sinal em um período de apenas 43 dias, entre os meses de setembro e novembro do ano passado. Para o ministro, esse apagão constante no sinal do equipamento inviabiliza o controle da justiça sobre o paradeiro do investigado. Na prática, a tornozeleira deixa de ser uma garantia de segurança quando para de funcionar repetidamente, o que levou o STJ a endurecer a medida e ordenar o retorno imediato ao regime fechado.

Oruam é filho do traficante Marcinho VP e responde a uma série de acusações graves no Rio de Janeiro, que incluem associação ao tráfico de drogas, resistência e ameaça. A investigação que resultou em sua prisão original aponta que o rapper e outros comparsas tentaram impedir o trabalho da polícia durante o cumprimento de um mandado contra um segurança ligado ao Comando Vermelho. Com a nova ordem de prisão, os benefícios da liberdade vigiada foram perdidos por causa do descumprimento de regras básicas do sistema prisional.


O episódio serve como um aviso severo para quem acredita que a tornozeleira eletrônica é uma medida meramente burocrática. O silêncio do equipamento não é visto pela Justiça como uma falha técnica comum, mas como uma tentativa de burlar a fiscalização. Agora resta saber se a defesa conseguirá apresentar uma explicação técnica plausível para tantos problemas de sinal ou se o rapper permanecerá isolado por um longo período, já que a quebra de confiança com o tribunal costuma ser um caminho sem volta no processo penal.

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