O papa Leão XIV pediu nesta quarta-feira (4) a renovação do Tratado de Redução de Armas Estratégicas, conhecido como New START, que expira nesta noite. O acordo limita os arsenais nucleares de Estados Unidos e Rússia e é considerado um dos principais mecanismos de controle nuclear ainda em vigor desde o fim da Guerra Fria.
Segundo o pontífice, o cenário internacional exige esforços concretos para evitar uma nova corrida armamentista. Ele afirmou que o aumento das tensões globais ameaça a paz e torna ainda mais urgente a manutenção de acordos que reduzam o risco de conflitos de grandes proporções.
Na prática, o New START estabelece limites de até 1.550 ogivas nucleares estratégicas e 800 sistemas de lançamento para cada país. Apesar disso, estimativas indicam que Estados Unidos e Rússia ainda concentram, com ampla margem, os maiores arsenais nucleares do mundo, com mais de 5 mil ogivas cada, considerando armamentos ativos e armazenados.
A declaração do papa ocorre em um momento delicado, enquanto a guerra na Ucrânia segue sem perspectiva clara de cessar-fogo e negociações de paz estão em andamento. O Vaticano tem defendido publicamente esforços diplomáticos e acordos de trégua, inclusive no campo nuclear, como forma de reduzir riscos globais.
Em janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ao New York Times que, caso o tratado expire, buscaria um acordo diferente. No ano passado, Moscou apresentou uma proposta para a renovação do New START por mais um ano, mas, segundo autoridades russas, não houve resposta formal de Washington.
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, afirmou que o silêncio americano também representa uma posição. O New START é o último grande acordo de controle nuclear ainda vigente entre as duas potências, após o abandono de tratados anteriores nas últimas décadas.