As contradições no contrato milionário de Viviane Moraes

A nota oficial divulgada pelo escritório de Viviane Barci de Moraes buscou dar uma aparência de normalidade a um contrato que, segundo especialistas consultados pelo jornal O Estado de S. Paulo, está muito acima dos padrões de mercado. A defesa afirma que o valor milionário se justifica por uma “ampla consultoria” realizada entre 2024 e 2025, mas os detalhes fornecidos abriram novas frentes de dúvida.

O mistério dos 15 advogados fantasmas

A banca de Viviane Moraes sustenta que o trabalho envolveu uma equipe de 15 advogados e outros três escritórios parceiros sob sua coordenação. No entanto, a perícia realizada no celular de Daniel Vorcaro, dono do Master, revela um cenário diferente:

  • Falta de registros: Nas milhares de mensagens extraídas do aparelho de Vorcaro, não há menção a conversas, orientações ou reuniões com esses 15 profissionais da Barci de Moraes.
  • Consultoria invisível: Os nomes dos outros três escritórios especializados contratados não foram revelados na nota, o que impede a verificação da prestação de serviço.
  • Comunicação direta: Enquanto os 15 advogados parecem ausentes das comunicações, o próprio ministro Alexandre de Moraes aparece em registros de mensagens com Vorcaro, inclusive no dia da prisão do banqueiro em novembro de 2025.

Compliance sem efeito prático

Outro ponto central da defesa de Viviane é que seu escritório teria estruturado o departamento de compliance e revisado o código de ética do Banco Master. Esta afirmação é vista com ceticismo pelos investigadores por motivos óbvios:

  • Acusações graves: O Banco Master entrou em liquidação extrajudicial após ser alvo de investigações por lavagem de dinheiro, fraudes bancárias e organização criminosa.
  • Milícias empresariais: Funcionários do banco são acusados de utilizar métodos coercitivos e milícias para aterrorizar adversários comerciais, o que demonstra que qualquer “código de ética” revisado não saiu do papel.
  • Uso interno: O escritório admite que os 36 pareceres produzidos eram para uso estritamente interno, o que especialistas sugerem ser uma estratégia para evitar o escrutínio público e judicial sobre o conteúdo desses documentos.

Valores fora da realidade jurídica

Para atingir a marca de 129 milhões de reais em honorários, cálculos do mercado jurídico indicam que cada um dos 15 advogados precisaria ter trabalhado cerca de 1,7 mil horas cobrando 5 mil reais por hora. O problema é que a Barci de Moraes não é reconhecida como uma banca de alta complexidade em pareceres penais ou administrativos, áreas que costumam atingir tais cifras em escritórios de renome internacional.

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