Um ataque russo com drones atingiu a Ucrânia na madrugada desta terça-feira, 27, deixando ao menos três mortos em Odessa, no sul do país, e provocando a interrupção do fornecimento de energia elétrica em Kharkiv, a segunda maior cidade ucraniana. Segundo autoridades locais, a ofensiva teve como alvo áreas civis e infraestrutura energética, em meio às negociações diplomáticas ainda em curso para tentar reduzir o conflito.
De acordo com o chefe da administração militar de Odessa, Serhiy Lysak, mais de 50 drones atingiram prédios residenciais e universitários na cidade. O número de vítimas pode aumentar, já que equipes de resgate seguem procurando pessoas que podem estar sob os escombros. Dezenas de feridos foram encaminhados a hospitais.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que os ataques miraram deliberadamente instalações civis e estruturas de energia. Um dos drones atingiu inclusive uma casa de oração de cristãos evangélicos, ampliando o impacto simbólico da ofensiva.
Além de Odessa, regiões como Lviv, Dnipro, Mykolaiv, Sumy e Kharkiv também foram atacadas. Segundo Kiev, a Rússia lançou ao todo 165 drones durante a noite, cerca de 100 do tipo Shahed. Em Kharkiv, os bombardeios deixaram bairros inteiros sem energia elétrica, agravando a situação humanitária em pleno inverno europeu.
Em publicação nas redes sociais, Zelensky afirmou que ataques desse tipo enfraquecem as tentativas diplomáticas e pediu mais pressão internacional sobre Moscou, com sanções e bloqueios econômicos mais duros. Para o governo ucraniano, não há possibilidade de avanço real rumo à paz enquanto ofensivas contra civis continuarem.
Leitura da situação
O ataque ocorre num momento particularmente sensível da guerra, quando discussões sobre cessar-fogo e garantias de segurança voltam ao centro do debate internacional. Ao intensificar bombardeios com drones, a Rússia sinaliza que não pretende ceder espaço no curto prazo, usando a pressão militar como instrumento político.
Na prática, ações desse tipo tendem a produzir dois efeitos simultâneos. De um lado, endurecem a posição de Kiev, que vê sua margem de negociação diminuir diante da opinião pública interna. De outro, colocam parceiros ocidentais diante de um dilema: ampliar o apoio militar e econômico à Ucrânia ou insistir em negociações mesmo sob fogo cruzado.
Se o padrão de ataques se mantiver, o risco é de um prolongamento ainda maior do conflito, com impacto crescente sobre a população civil e sobre a estabilidade energética do país. O que vem depois depende menos de discursos e mais da disposição internacional de transformar pressão diplomática em ações concretas. Sem isso, a guerra tende a seguir ditando o ritmo das conversas, e não o contrário.