Quem trafega diariamente pela BR-369, no trecho que liga Corbélia a Cascavel, já sabe que a atenção precisa ser redobrada, mas os números recentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) transformam a percepção de medo em uma estatística alarmante. Embora o número total de batidas tenha se mantido estável, a violência dos impactos cresceu drasticamente. No último ano, estima-se que o total de mortes na rodovia saltou de 17 para 28 vítimas fatais, um aumento de 65% que acende o sinal vermelho para as autoridades e motoristas.
O cenário mais crítico se concentra em pontos já conhecidos pela comunidade, como o distrito de Nossa Senhora da Penha e as proximidades do quilômetro 480. Por ser uma rodovia de pista simples com intenso fluxo de caminhões e veículos leves, a combinação de imprudência e pressa tem sido fatal. A maioria das ocorrências graves envolve colisões frontais durante tentativas de ultrapassagem arriscadas e o excesso de velocidade. Recentemente, a PRF chegou a flagrar uma motocicleta a impressionantes 237 km/h nesse trecho, uma velocidade que não permite qualquer chance de reação em caso de imprevisto.
A geografia da estrada também contribui para o risco. Com muitos acessos a propriedades rurais e empresas lindeiras, o entra e sai de veículos pesados exige paciência que muitos condutores não têm. O resultado são tragédias como a registrada em julho do ano passado, quando uma colisão frontal tirou a vida de um pai e dois filhos pequenos, chocando toda a região. A falta de uma barreira física entre as pistas transforma qualquer erro de cálculo em uma cena de guerra.
No entanto, há uma luz no fim do túnel para quem depende dessa rota. O novo lote de concessões rodoviárias, o chamado Lote 5, prevê a duplicação completa da BR-369 entre Cascavel e Mamborê. O projeto é ambicioso e inclui investimentos bilionários para a construção de viadutos, terceiras faixas e a separação definitiva dos fluxos de veículos. A expectativa é que essas obras não apenas agilizem o escoamento da safra, mas, principalmente, eliminem o fantasma das colisões frontais que hoje dominam as manchetes policiais.
Enquanto as máquinas não chegam para a duplicação, a segurança continua dependendo exclusivamente do comportamento de quem está atrás do volante. O asfalto pode estar em boas condições em alguns pontos, mas a pista simples não perdoa abusos. O alerta é claro: o tempo economizado em uma ultrapassagem perigosa não vale o risco de não chegar ao destino. A prudência hoje é a única ferramenta capaz de frear essa estatística de mortes até que a infraestrutura finalmente acompanhe a importância econômica desta rodovia.