O mundo volta seus olhos para os Emirados Árabes Unidos nesta quarta-feira (4), onde representantes da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos iniciam uma rodada trilateral de negociações em Abu Dhabi. O encontro ocorre em um momento de extrema tensão, marcado por uma escalada nos ataques russos contra a infraestrutura civil ucraniana e por um alerta global do Vaticano sobre o fim dos tratados de desarmamento nuclear.
A “Paz de 90%”: O Otimismo Cauteloso de Zelensky
Recentemente, o presidente Volodymyr Zelensky declarou que um possível acordo para encerrar o conflito está “90% pronto”. No entanto, o líder ucraniano deixou claro que a assinatura final depende de garantias de segurança reais e ratificadas por parlamentos internacionais, rejeitando acordos frágeis que possam servir de “armadilha”.
“Assinaturas em acordos fracos só alimentam a guerra. Minha assinatura estará em um acordo forte”, afirmou Zelensky, enfatizando que a Ucrânia busca uma paz duradoura para anos, e não apenas uma trégua temporária.
O “Terror do Inverno” e a Inflexibilidade Russa
Enquanto a diplomacia tenta avançar nos gabinetes, o cenário em solo ucraniano é de destruição. Na última madrugada, a Rússia lançou uma ofensiva massiva com mais de 70 mísseis e 450 drones, atingindo áreas residenciais, creches e infraestruturas de energia em cidades como Kharkiv e Kiev. Com temperaturas atingindo -20°C, os bombardeios são vistos como uma tentativa de usar o frio extremo como arma de terror contra a população civil.
Do lado de Moscou, o porta-voz Dmitry Peskov manteve uma postura rígida para as reuniões em Abu Dhabi. Os termos impostos pelo Kremlin para um cessar-fogo incluem:
- Controle total da região do Donbas;
- Congelamento das linhas de combate em Zaporizhzhia e Kherson;
- Veto permanente à entrada da Ucrânia na OTAN.
O Alerta do Vaticano e o Fim do Tratado New Start
Somando-se à instabilidade regional, o Papa Leão XIV fez um apelo urgente nesta quarta-feira para evitar uma nova corrida armamentista nuclear. O alerta ocorre na véspera da expiração do tratado New Start, o último grande acordo de desarmamento entre Rússia e EUA, que limita ogivas e lançadores estratégicos.
Sem a renovação ou um novo mecanismo de verificação, o mundo corre o risco de perder as ferramentas de controle que garantiram a estabilidade nuclear desde 2010. “A situação atual exige que façamos tudo o que for possível para prevenir uma nova corrida armamentista”, declarou o Pontífice.
O Que Esperar de Abu Dhabi?
A cúpula trilateral é liderada pelo chefe do Conselho de Segurança da Ucrânia, Rustem Umerov, e busca destravar os 10% restantes para um acordo. Contudo, o abismo entre a exigência russa de rendição territorial e a busca ucraniana por uma paz justa e soberana ainda parece intransponível.
A invasão russa completará quatro anos no próximo dia 24 de fevereiro. O sucesso ou o fracasso das conversas em Abu Dhabi determinará se o conflito entrará em seu quinto ano ou se a diplomacia finalmente conseguirá superar o barulho dos mísseis.