As principais nações produtoras de petróleo do Oriente Médio começaram a sinalizar para o mercado asiático que o fluxo de combustível pode ser normalizado em breve. Segundo fontes ligadas ao setor, empresas como a Saudi Aramco e a Kuwait Petroleum Corp (KPC) já solicitaram aos refinadores que apresentem seus cronogramas de carregamento para os meses de abril e maio. O movimento ocorre sob a expectativa de que o cessar fogo de duas semanas anunciado entre Estados Unidos e Irã resulte na desobstrução definitiva do Estreito de Ormuz.
As fontes falaram sob condição de anonimato, já que não estavam autorizadas a se pronunciar à imprensa.
A via marítima é considerada a artéria principal da economia energética mundial, sendo responsável pelo transporte de aproximadamente 20 por cento de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumido no planeta. Desde o início dos conflitos, o bloqueio imposto por Teerã causou uma interrupção sem precedentes, elevando os preços da energia a patamares históricos e forçando os produtores a buscarem rotas alternativas menos eficientes.
Arábia Saudita e os desafios logísticos
A Saudi Aramco, maior exportadora global, orientou seus clientes a indicarem cargas para os portos de Yanbu e Ras Tanura. No entanto, a operação em Ras Tanura depende inteiramente da livre circulação pelo estreito. Recentemente, a empresa tentou mitigar os efeitos do bloqueio utilizando o oleoduto Leste Oeste para enviar petróleo ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Apesar da estratégia, ataques recentes a instalações de energia reduziram a capacidade produtiva do reino em cerca de 600 mil barris por dia. Além disso, o fluxo operacional do oleoduto Leste Oeste sofreu uma redução de 700 mil barris diários, segundo dados do Ministério da Energia saudita. Esses fatores aumentam a pressão pela reabertura imediata da rota principal em Ormuz para garantir o abastecimento dos contratos internacionais.
Movimentação no Kuwait e Iraque
No Kuwait, a estatal KPC começou a fornecer datas de carregamento para o petróleo tipo exportação, embora tenha alertado que os agendamentos estão sujeitos à capacidade logística dos clientes em buscar as cargas. No mês passado, a empresa precisou declarar força maior nos seus suprimentos, já que os petroleiros estavam impedidos de entrar no Golfo Pérsico.
O Iraque também demonstra sinais de retomada. A empresa estatal SOMO solicitou cronogramas de carga após informações de que o Irã teria concedido uma isenção especial ao país para o trânsito pelo estreito. Esse cenário motivou refinarias indianas, sul coreanas e gigantes do comércio de commodities como a Glencore a buscarem ativamente navios tanques para realizar o transporte das cargas ainda este mês.

