Se você estava namorando um smartphone de última geração ou planejava renovar os equipamentos da sua empresa, prepare o fôlego (e o limite do cartão). O governo brasileiro oficializou, no início de fevereiro de 2026, um aumento na alíquota de importação que atinge diretamente mais de mil itens de tecnologia.
A medida não é apenas um ajuste burocrático; é uma mudança de rota na política comercial que deve mexer com as etiquetas das principais lojas do país nos próximos dias.
O Fim da “Folga” Tributária
O ponto central da mudança é a revisão dos chamados “Ex-tarifários”. Esse regime permitia que produtos de informática e telecomunicações (BIT) sem similar nacional entrassem no Brasil com imposto de importação zerado ou reduzido.
Com a nova resolução da Camex (Câmara de Comércio Exterior), a alíquota para smartphones prontos subiu até 7,2 pontos percentuais. O objetivo claro do governo é proteger a indústria nacional e a Zona Franca de Manaus contra a entrada massiva de produtos finalizados, especialmente os vindos da Ásia.
Quem sente o impacto primeiro?
O mercado de celulares será o termômetro imediato dessa medida. No entanto, o impacto é seletivo, dependendo de onde o aparelho é fabricado.
| Categoria de Impacto | Marcas/Modelos Exemplos | Situação |
| Aumento Imediato | iPhone Pro/Max, Xiaomi (importados), Realme, Oppo | Como são importados “na caixa”, o novo imposto incide diretamente no custo de entrada. |
| Estabilidade Temporária | Samsung (Linhas A e S), Motorola, iPhone (modelos base) | Possuem produção em solo brasileiro e não sofrem o imposto sobre o produto pronto. |
| Efeito Cascata (Médio Prazo) | Todos os eletrônicos | O aumento também atingiu maquinários e componentes. Mesmo quem fabrica aqui terá custos de produção mais altos. |
O Efeito Dominó na Indústria
Não se engane: mesmo as marcas que ostentam o selo “Fabricado no Brasil” não estão totalmente imunes. A nova regra encareceu máquinas e equipamentos industriais importados.
Como as fábricas brasileiras dependem de tecnologia estrangeira para atualizar suas linhas de montagem, o custo de manutenção e expansão das fábricas subiu. Especialistas do setor preveem que, em alguns meses, esse custo operacional acabe sendo repassado ao consumidor final, mesmo em produtos nacionais.
O Contexto Global: O “Fator Trump”
A decisão brasileira não ocorre no vácuo. Com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e sua política agressiva de tarifas contra a China, o mercado global entrou em desequilíbrio.
Com os EUA fechando as portas para produtos chineses, o Brasil corre o risco de virar o destino de “descarte” desse excedente de produção (o chamado dumping). O aumento do imposto funciona, portanto, como uma barreira defensiva para evitar que o mercado nacional seja inundado por eletrônicos estrangeiros a preços artificialmente baixos, o que destruiria a competitividade das fábricas locais.