Merenda nota dez: Agricultura familiar impulsiona nutrição e desempenho escolar no Paraná

O Paraná consolidou um modelo de alimentação escolar que é referência nacional ao conectar a produção do campo diretamente com as mesas das escolas públicas. Atualmente, cerca de 1,5 milhão de refeições são servidas diariamente para mais de um milhão de estudantes. O grande diferencial está na origem dos produtos: quase 40 por cento de tudo o que é consumido vem da agricultura familiar. Em 2025, o programa movimentou 187 milhões de reais, beneficiando mais de 24 mil famílias e centenas de cooperativas em todo o estado.

A estratégia paranaense supera as exigências federais há anos. Enquanto a legislação nacional exige que ao menos 30 por cento dos recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar sejam destinados ao pequeno produtor, o Paraná utiliza a totalidade dos recursos federais para essa finalidade desde 2018.

Comida de qualidade reflete em notas melhores

Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada comprova que a alimentação escolar de qualidade tem impacto pedagógico direto. Escolas que priorizam alimentos frescos da agricultura familiar registraram um aumento médio de 3,3 pontos em matemática e quase 3 pontos em português nas avaliações do Saeb. A melhor nutrição resulta em maior concentração e redução de faltas por problemas de saúde, provando que a merenda vai muito além de apenas matar a fome.

O cardápio conta com 108 itens diversificados, com destaque para frutas, hortaliças e laticínios. A banana lidera o fornecimento no estado, com a região Oeste tendo um papel estratégico ao entregar mais de 250 toneladas anuais para o sistema de ensino.

O desafio dos 50 centavos e o esforço municipal

Apesar do sucesso paranaense, existe um desafio invisível nos bastidores: o valor do repasse federal. Para o ensino fundamental e médio, o governo federal envia apenas 50 centavos por aluno ao dia. Esse valor é considerado uma suplementação e não cobre o custo real de uma refeição equilibrada.

Isso coloca uma responsabilidade enorme sobre as prefeituras e o governo estadual, que precisam complementar o orçamento para garantir que o prato do estudante tenha proteína e vegetais frescos. Em cidades menores ou com arrecadação limitada, a pressão da inflação de alimentos entre 2023 e 2026 corroeu parte do poder de compra, tornando a parceria com as cooperativas locais ainda mais vital para manter a qualidade sem estourar o orçamento público.

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