Nikolas Ferreira utilizou jato ligado a dono do Banco Master na campanha de 2022

Um levantamento recente revelou que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL—MG) e o pastor Guilherme Batista utilizaram um jato executivo para cumprir agendas de campanha em outubro de 2022. A aeronave, um Embraer 505 Phenom 300, teria sido usada durante dez dias para percorrer todas as capitais do Nordeste, além de Brasília e cidades mineiras. A polêmica em torno do voo surgiu porque o avião estaria ligado ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

O nome de Vorcaro ganhou as manchetes nacionais em novembro de 2025, quando ele se tornou alvo da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal investiga fraudes bilionárias na concessão de créditos falsos, com valores que podem chegar a R$ 17 bilhões. A ligação entre o parlamentar e o empresário foi traçada a partir de sinais de transponder da aeronave e fotos publicadas em redes sociais na época da caravana Juventude pelo Brasil.

Justificativa e versões conflitantes

Em nota oficial, Nikolas Ferreira afirmou que não tinha conhecimento sobre quem era o dono do jatinho no momento da viagem. O deputado explicou que sua presença no voo aconteceu apenas por conta de um convite para a agenda política e que não possui qualquer vínculo pessoal ou comercial com Vorcaro. Segundo ele, em 2022, não existiam informações públicas que pudessem levantar qualquer tipo de alerta sobre o empresário.

Por outro lado, a empresa que opera a aeronave trouxe uma versão diferente para o caso. A Prime You negou que Daniel Vorcaro seja ou tenha sido proprietário do jatinho com prefixo PT—PVH. Segundo a operadora, o avião funciona sob o regime de táxi aéreo e as viagens realizadas em 2022 foram fretamentos tradicionais de mercado, sem qualquer relação societária com os usuários do serviço.


Conclusão

O episódio mostra como o uso de tecnologias de monitoramento aéreo pode trazer à tona detalhes de campanhas passadas, especialmente quando nomes envolvidos acabam em investigações de grande escala. Embora o deputado alegue desconhecimento e a operadora negue a propriedade do jato por parte de Vorcaro, o caso reforça a necessidade de transparência nas prestações de contas eleitorais. É uma situação que exige uma análise equilibrada, pois envolve datas diferentes e interpretações sobre a responsabilidade de quem utiliza transportes privados em agendas públicas.

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