Conheça os nomes por trás do tratamento inédito para lesões na medula

A revolução na medicina não nasce do dia para a noite. Por trás da polilaminina, o tratamento experimental brasileiro que está devolvendo os movimentos a pacientes paralíticos, existe o esforço de décadas de uma equipe de elite. No centro desse palco está a Dra. Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, uma bióloga carioca de 59 anos que dedicou sua vida a decifrar como o nosso corpo se reconstrói.

Tatiana é professora da UFRJ desde 1995. Ela tem uma bagagem de peso, com estágios de pós-doutorado em instituições de ponta nos Estados Unidos e na Alemanha. Como chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, ela passou quase trinta anos estudando a fundo as proteínas que ajudam as células a se organizarem. Além do trabalho acadêmico rigoroso, a pesquisadora tem um pé firme no mercado real e prático. Ela é sócia e consultora científica da Cellen, uma empresa focada na produção de células-tronco veterinárias. Foi a visão incansável de Tatiana que transformou a laminina, uma proteína natural, em uma espécie de “ponte” capaz de religar nervos rompidos.

Mas uma inovação desse tamanho nunca é trabalho de uma pessoa só. As investigações sobre a equipe mostram que o laboratório da UFRJ reúne talentos com histórias impressionantes. O braço direito de Tatiana nas pesquisas e na coordenação dos estudos clínicos é a bióloga e enfermeira Karla Menezes. A dedicação de Karla ao projeto tem um motivo pessoal e dramático. Aos 23 anos, ela sofreu um grave acidente de carro e fraturou vértebras da coluna. Por um verdadeiro milagre, escapou sem danos neurológicos. A partir daquele dia, Karla decidiu focar seu mestrado e doutorado em lesões medulares, unindo forças com Tatiana para testar a polilaminina primeiro em laboratório e, agora, acompanhando os ensaios em pacientes.

Para que a ciência saia da bancada do laboratório e chegue aos hospitais de forma segura, é preciso estrutura e conhecimento clínico aplicado. É aí que entram especialistas como o neurocirurgião e neurocientista Paulo Roberto Ferreira Louzada Junior, peça chave no desenvolvimento dos protocolos de reabilitação dos pacientes que recebem a medicação. A união de pesquisadores altamente qualificados com o financiamento e a agilidade do laboratório privado Cristália foi o que garantiu o avanço prático para os testes atuais. Isso prova que a parceria entre a inteligência acadêmica e o investimento da iniciativa privada é a fórmula correta para resolver problemas reais da sociedade.

Toda essa trajetória nos deixa um alerta muito claro para o futuro. O Brasil tem o intelecto, personificado em pesquisadoras como Tatiana e Karla, e tem o capital privado disposto a viabilizar a produção. No entanto, continuamos falhando na segurança jurídica e na gestão burocrática, o que já nos custou a patente internacional desse exato medicamento no passado. Precisamos urgentemente criar um ambiente que proteja a nossa propriedade intelectual com a mesma garra com que esses cientistas lutam para proteger e restaurar a vida de seus pacientes. Se não valorizarmos a ordem e a segurança das nossas próprias invenções, continuaremos exportando genialidade e importando remédios caros.

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