O Paraná inicia março, mês que marca o Dia Internacional da Mulher, com indicadores que mostram que o investimento em segurança e tecnologia está salvando vidas. Em 2025, o estado registrou uma redução de 20% nos casos de feminicídio em comparação ao ano anterior. Um dado ainda mais expressivo revela a capilaridade dessa proteção: das 399 cidades paranaenses, 337 não registraram nenhum crime desse tipo no último ano.
O segredo desses números parece estar no equilíbrio entre a repressão ao crime e a educação preventiva. O programa Mulher Segura, criado em 2023, já impactou mais de 224 mil pessoas através de quase 3 mil palestras. O diferencial aqui é a abordagem segmentada, que inclui desde conversas com adolescentes nas escolas até o projeto De Homem para Homem, focado em desconstruir comportamentos machistas e prevenir a violência antes mesmo que ela aconteça.
Tecnologia e Inteligência Artificial no combate à reincidência
A Secretaria da Segurança Pública (Sesp) não está poupando esforços no uso da tecnologia para garantir que as medidas protetivas sejam, de fato, respeitadas.
- Monitoramento Eletrônico Simultâneo (MES): Este sistema conecta o celular da vítima à tornozeleira eletrônica do agressor. Se ele romper o limite de distância imposto pela justiça, tanto a mulher quanto a central da polícia recebem um alerta imediato. O sistema, que já opera em Curitiba, será expandido para a Região Metropolitana e para Foz do Iguaçu no dia 17 de março.
- Algoritmo de IA: O estado desenvolveu uma inteligência artificial que cruza dados de boletins de ocorrência desde 2010 para prever quais agressores têm maior probabilidade de atacar novamente. Isso permite que a polícia aja de forma preventiva e qualifique o atendimento às vítimas de maior risco.
Acolhimento e a presença da Patrulha Maria da Penha
Além do suporte tecnológico, a presença física do estado aumentou drasticamente. A Patrulha Maria da Penha registrou um crescimento de 54% nas visitas preventivas em 2025, ultrapassando a marca de 83 mil atendimentos comunitários. O foco é o “dia seguinte” da agressão, momento em que a vítima costuma estar mais fragilizada e sem saber como proceder juridicamente.
Para completar a rede, as Delegacias Cidadãs oferecem hoje um modelo de atendimento humanizado. Nessas unidades, a mulher não corre o risco de cruzar com o agressor, pois os espaços de espera são totalmente separados, garantindo privacidade e segurança desde o primeiro minuto do atendimento.
Conclusão
Os avanços do Paraná mostram que enfrentar a violência contra a mulher exige uma estratégia madura, que une o rigor da lei com a inovação tecnológica e o acolhimento humano. O lema “Ninguém Segura uma Mulher Segura” resume bem o objetivo: empoderar a vítima através de informação e garantir que o agressor saiba que está sendo monitorado de perto. É uma evolução necessária para que a paz nos lares paranaenses deixe de ser uma meta e se torne a realidade em todos os municípios.