Paraná já tem 4 pacientes tratados com polilaminina

O Paraná se tornou o epicentro de uma revolução na medicina brasileira. Nos últimos meses, quatro nomes entraram para a história da ciência nacional ao receberem a polilaminina, uma proteína desenvolvida pela UFRJ capaz de regenerar conexões na medula espinhal. Juarez, Mirian, William e Wagner não são apenas pacientes, eles são os pioneiros de uma jornada que busca transformar a paralisia em movimento.

A ciência da esperança no Paraná

O trauma na medula é como um cabo de fibra óptica rompido. O corpo humano, ao tentar se curar, cria uma cicatriz muito rígida que impede os nervos de se reconectarem. A polilaminina funciona como um escudo: ela é aplicada diretamente no local da lesão para impedir que essa “parede” se forme, permitindo que os neurônios voltem a conversar entre si.

Para que o tratamento funcione, existe uma regra de ouro: a aplicação deve ocorrer em até 72 horas após o acidente. Como o remédio ainda está em fase de testes oficiais no Rio de Janeiro, esses paranaenses conseguiram o acesso através de decisões urgentes da Justiça, o chamado uso compassivo.

Os quatro rostos da superação

O caminho foi aberto por Juarez Rocha de Almeida, em Maringá. Vítima de um acidente de moto, ele foi o primeiro paranaense a receber a proteína em janeiro deste ano. Logo depois, o esporte deu visibilidade à causa com William Carboni Kerber, em Foz do Iguaçu. O ex-atleta profissional de vôlei, acostumado a grandes desafios nas quadras, agora encara a reabilitação com o suporte da nova tecnologia após um grave acidente de carro.

Em Cascavel, o destaque foi Wagner Felipe de Lima. O jovem de 23 anos passou por uma cirurgia histórica no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), provando que a medicina pública da região está pronta para procedimentos de alta complexidade. Fechando o grupo, Mirian Magro trouxe a representatividade feminina para Londrina, sendo a primeira mulher do estado a buscar na polilaminina a chance de retomar sua autonomia.

Um novo horizonte para a saúde

A mobilização paranaense está criando o que os médicos chamam de “evidência de mundo real”. Enquanto o estudo oficial da Anvisa foca em apenas cinco pacientes controlados, a coragem desses quatro paranaenses e a rapidez do sistema judiciário estadual estão fornecendo dados valiosos para acelerar a liberação do tratamento para todos os brasileiros.

O sucesso desses procedimentos depende agora de meses de fisioterapia intensa. A polilaminina não é uma cura mágica, mas é a ferramenta que devolve ao corpo a capacidade de se consertar. O Paraná, com seus hospitais universitários e profissionais qualificados, mostra que o futuro da neurologia já começou.

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