Polícia de SP desarticula lavagem de R$ 1 bilhão em parceria entre grupo chinês e PCC

A Polícia Civil de São Paulo, em uma ação conjunta com o DEIC, Ministério Público e a Secretaria da Fazenda, deflagrou na manhã desta quinta-feira (12) uma operação estratégica contra um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. O grupo, liderado por empresários chineses e apoiado por membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), utilizava plataformas de e-commerce para ocultar movimentações bilionárias.


O Balanço da Operação

A estratégia, batizada pelas autoridades como “asfixia financeira”, busca destruir a base econômica da facção criminosa em vez de focar apenas em prisões de rua.

  • Bloqueios Judiciais: 36 contas bancárias foram congeladas.
  • Apreensões e Bens: R$ 25 milhões em ativos foram bloqueados e quatro veículos de luxo foram apreendidos.
  • Prisões: Duas pessoas foram presas, uma mulher, apontada como a articuladora do esquema, e um homem com histórico no PCC.
  • Investigados: 14 CNPJs e 32 pessoas estão sob a mira da polícia.
  • Liderança: O suposto líder, um empresário chinês, é alvo de busca, mas encontra-se fora do país.

Como funcionava o “Drible” Digital

A investigação, que durou sete meses, começou após uma denúncia de um consumidor que percebeu irregularidades em uma compra online.

  1. Venda no Marketplace: Os produtos eram anunciados em grandes plataformas digitais.
  2. Pagamento Externo: Após a compra, o grupo entrava em contato com o cliente solicitando que o pagamento fosse feito fora do sistema oficial, em “contas de passagem”.
  3. Blindagem e Fachada: O dinheiro seguia para contas paralelas geridas por empresas de fachada. Notas fiscais eram emitidas com valores subfaturados (abaixo do real) ou por empresas que sequer existiam fisicamente.
  4. Conexão com o Crime: Membros do PCC atuavam como sócios de fachada para garantir a proteção patrimonial dos bens e imóveis de alto valor do grupo.

Estratégia “Ave de Rapina”

O Procurador de Justiça, Ivan Francisco Pereira Agostinho, comparou a atuação dos investigadores a uma ave de rapina, monitorando processos civis e criminais para identificar onde o patrimônio estava sendo escondido.

“O objetivo aqui é a asfixia financeira, é o único caminho que a gente consegue atingir as organizações criminosas”.

A polícia agora investiga se o PCC utilizava essa estrutura para lavar o dinheiro do tráfico ou se os empresários buscaram a facção para dar “sustentação e segurança” às suas operações fraudulentas. Estima-se que o volume total de movimentações sob investigação possa alcançar a marca astronômica de R$ 36 bilhões.

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