A investigação que apura a influência de facções criminosas na política de Manaus ganhou capítulos detalhados com a revelação de um relatório de inteligência de 63 páginas. O documento, elaborado pela Secretaria de Segurança Pública, não traz apenas suspeitas, mas transcrições de áudios e mensagens extraídas de celulares de lideranças do tráfico. O material sugere que a campanha de 2020 do atual prefeito, David Almeida, teria negociado apoio eleitoral em comunidades dominadas pelo crime em troca de dinheiro e obras de infraestrutura.
Os detalhes encontrados nos aparelhos periciados mostram como funcionava essa negociação no dia a dia das comunidades. Em um dos diálogos, um gerente do tráfico conhecido como “Alex” fala abertamente sobre um acordo que envolveria o pagamento de R$ 70 mil, além da construção de um poço artesiano pela equipe do candidato. Outros trechos do relatório mencionam que o grupo criminoso teria recebido materiais de construção, como manilhas e sacos de cimento, para realizar pequenas obras locais, servindo como uma espécie de “moeda de troca” pelos votos dos moradores.
O caso se torna ainda mais complexo com os desdobramentos da Operação Erga Omnes, deflagrada agora em fevereiro de 2026. A prisão de Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito, reforça a tese de que existia um braço político operando para o Comando Vermelho. Segundo a polícia, esse grupo teria movimentado cerca de R$ 70 milhões nos últimos anos, utilizando empresas de fachada para lavar o dinheiro vindo do tráfico internacional. As mensagens mostram reuniões marcadas em datas específicas, como no dia 16 de outubro de 2020, justamente para acertar valores e estratégias de compra de votos.
É fundamental que o trabalho da inteligência policial continue sendo o fio condutor dessa apuração, garantindo que as provas técnicas falem mais alto que as disputas políticas. A utilização de perícia em celulares e o rastreamento financeiro são estratégias modernas que ajudam a proteger a administração pública de influências externas perigosas. No fim, a transparência desse processo é o que garantirá ao cidadão manauara a certeza de que sua prefeitura é gerida com ética, respeitando o direito de defesa de todos os citados enquanto se busca a verdade dos fatos.



Operação Erga Omnes: Como o crime organizado se infiltrou na politica
A segurança pública do Amazonas deu um passo decisivo para enfrentar um dos problemas mais graves da atualidade: a tentativa de facções criminosas de “comprar” influência dentro do governo. Através da Operação Erga Omnes, a Polícia Civil descobriu que o grupo Comando Vermelho montou um verdadeiro “escritório” dentro de gabinetes importantes para facilitar o tráfico de drogas e se proteger da justiça. Desde 2018, estima-se que esse grupo tenha movimentado cerca de R$ 70 milhões, usando empresas de fachada para esconder dinheiro sujo.
Essa rede funcionava como uma troca de favores muito perigosa. De um lado, criminosos usavam empresas de transporte para trazer drogas da Colômbia; do outro, pessoas infiltradas em cargos públicos ajudavam a esconder esses crimes. Entre os nomes investigados está o de Anabela Cardoso Freitas, que foi chefe de gabinete da prefeitura de Manaus e é suspeita de movimentar mais de um milhão de reais para a facção. A investigação também aponta que funcionários do Tribunal de Justiça recebiam pagamentos por fora para avisar os bandidos antes de a polícia chegar para prendê-los.
Até agora, a polícia já cumpriu 14 mandados de prisão e identificou que o esquema era muito bem organizado, envolvendo desde policiais até assessores parlamentares. Enquanto a Prefeitura de Manaus e o Tribunal de Justiça afirmam que os acusados devem responder individualmente por seus erros e que as instituições não compactuam com o crime, a polícia segue analisando mensagens de celular que mostram como o grupo negociava apoio político em troca de dinheiro e infraestrutura em comunidades dominadas.
