Reviravolta em Marechal Rondon: Mensagens e vídeo recuperados da nuvem impedem arquivamento de inquérito sobre morte de agrônomo

O caso da morte do engenheiro agrônomo Leandro Meinerz, ocorrido em agosto de 2025, tomou um rumo inesperado na Justiça de Marechal Cândido Rondon. O Ministério Público, que anteriormente cogitava o arquivamento do inquérito, decidiu manter a investigação ativa após o surgimento de arquivos recuperados diretamente da conta Google da vítima.

O material inclui prints de conversas e um vídeo gravado por Leandro momentos antes de ser atingido por um golpe de faca desferido por sua esposa, Morgani Terezinha Neukirchen Meinerz. Essas novas evidências trazem à tona um histórico de conflitos e ameaças que contradizem as versões iniciais.

O conteúdo das mensagens no WhatsApp

As conversas recuperadas pela perícia mostram que Morgani não aceitava o fim do relacionamento. Entre maio e julho de 2025, a frequência das mensagens aumentou, revelando um estado emocional instável e agressivo:

  • Ameaças de destruição: Morgani afirmou explicitamente em mensagens que faria o possível para destruir a vida do marido.
  • Instabilidade emocional: Em uma das fotos enviadas a Leandro, ela aparece segurando uma faca e sugerindo que não estaria viva no dia seguinte.
  • Uso de substâncias: A investigada chegou a relatar o consumo de 20 gotas de Rivotril enquanto dirigia durante a madrugada, forçando contatos insistentes com a vítima.

Leandro tentava manter a calma nos diálogos, pedindo que ela pensasse nas filhas e reforçando que o casamento havia terminado, uma vez que ele já residia em outro imóvel.

O vídeo gravado antes da facada

Uma das provas mais contundentes é um vídeo registrado pelo celular de Leandro dentro de seu apartamento. Nas imagens, a tensão é evidente e o confronto iminente:

  • O cenário de perigo: Morgani aparece segurando uma faca em uma das mãos e uma garrafa de vinho na outra.
  • O diálogo final: Leandro pede repetidamente para que ela pare e largue o objeto. Morgani alega estar sendo agredida, acusação que Leandro nega imediatamente durante a gravação.
  • A espera no carro: Câmeras do prédio mostram que Morgani esperou 30 minutos dentro de seu veículo antes de decidir subir ao apartamento, indicando uma hesitação ou planejamento antes do contato fatal.

Divergências nos depoimentos e a herança inesperada

Enquanto a polícia não encontrou sinais de agressão em Morgani na noite do crime e vizinhos afirmam não ter ouvido brigas, amigas da investigada relatam que ela aparecia com manchas roxas em treinos de vôlei meses antes do ocorrido.

Além da esfera criminal, o caso ganhou um novo capítulo na área cível com revelações surpreendentes:

  • Nova herdeira: Uma filha de Leandro, de cerca de 10 anos, que vive em Santa Catarina, apresentou se à família. A existência da criança era desconhecida por todos até a morte do agrônomo.
  • Disputa patrimonial: Um imóvel registrado no nome de Leandro, mas que pertenceria originalmente à sua mãe, deve ser alvo de disputa judicial entre os herdeiros e a genitora da vítima.

Conclusão

A investigação agora entra em uma fase crucial com a oitiva de novas testemunhas e a análise detalhada das provas digitais. O que antes era analisado como uma possível legítima defesa em uma discussão isolada agora é visto sob a ótica de meses de perseguição e instabilidade emocional. A justiça precisará equilibrar os relatos de agressões passadas citados por amigas com as provas diretas de ameaça gravadas pela própria vítima.

Veja também