A resposta das forças de segurança ao feminicídio que chocou o bairro Morumbi, em Cascavel, foi rápida. Em menos de 12 horas após o crime, a Polícia Militar localizou e prendeu o principal suspeito, um homem de 48 anos, no município de Jesuítas. O caso, que vitimou Ana Rosa Pereira da Silva (32 anos), revela detalhes perturbadores sobre o passado do agressor e o acesso a armas de fogo.
O Crime e a Fuga
Na noite de terça-feira (3), uma discussão motivada por ciúmes terminou em execução na Rua Serra do Santana. Segundo o relato policial, Ana Rosa foi retirada à força de uma caminhonete branca e atingida por quatro disparos no tórax e abdômen. Ela morreu no local antes mesmo da chegada do socorro médico.
Após os disparos, o suspeito fugiu para a região oeste, mas foi interceptado pelas equipes do 6º Batalhão da PM após diligências ininterruptas. Em depoimento preliminar, ele confessou o crime e afirmou ter descartado o revólver utilizado durante a fuga — arma que ainda não foi localizada pelas autoridades.
O “Arsenal” do Atirador
O suspeito possuía registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), o que facilitava o acesso a um poder de fogo impressionante. Na residência do casal, a polícia encontrou um verdadeiro arsenal que reforça a gravidade da situação:
- Armas apreendidas: Uma pistola 9mm, uma carabina .22, uma espingarda calibre 12 e uma espingarda de pressão.
- Munições: Mais de mil projéteis (sendo cerca de 650 intactos e centenas de estojos deflagrados) de diversos calibres.
- Evidência chave: Uma caixa de revólver da marca Taurus, possivelmente da arma usada no feminicídio.
A História que a Notícia Esconde: Reincidência de 25 Anos
O ponto mais alarmante revelado pela investigação é o histórico do agressor. Ele já havia sido investigado por um homicídio ocorrido há cerca de 25 anos, também em Cascavel. Naquela ocasião, o crime seguiu um roteiro tragicamente semelhante: uma mulher foi morta com um tiro na cabeça. Esse detalhe coloca em xeque a eficácia do monitoramento de indivíduos com histórico violento que conseguem obter registros legais de armas.
Denuncie: A violência contra a mulher não deve ser silenciada. Se você ou alguém que você conhece está em risco, ligue para o 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar) em casos de emergência. A denúncia pode salvar vidas.
O suspeito permanece à disposição da Justiça na 10ª Central Regional de Flagrantes e o caso agora segue sob a responsabilidade da Delegacia de Homicídios de Cascavel.