Uma van carregada com drogas foi apreendida pela Polícia Rodoviária Federal na tarde desta quinta feira, 29, durante uma fiscalização de rotina na base da corporação, às margens da BR-277, em Cascavel. Os entorpecentes estavam escondidos junto a caixas de vinhos e outras mercadorias, numa tentativa de disfarçar o transporte ilegal.
Durante a abordagem, os policiais desconfiaram da carga e iniciaram uma vistoria mais detalhada. No total, foram apreendidos 368 quilos de maconha e 56 quilos de haxixe, além de caixas de vinhos de origem estrangeira. A droga estava bem camuflada, com uso de plástico, espuma expansiva e placas de isopor, estratégia usada para dificultar tanto a visualização quanto a identificação do cheiro.
Segundo a PRF, a van tinha como destino os estados de São Paulo e Espírito Santo, onde a carga ilícita seria distribuída. A grande quantidade de entorpecentes chama atenção pelo alto valor no mercado ilegal e reforça a relevância da BR-277 como uma das principais rotas usadas pelo tráfico.
Novos detalhes sobre a apreensão foram repassados pelo policial rodoviário federal Dal Col, que acompanhou a ocorrência. Ele explicou que o motorista afirmou ter feito uma coleta em Foz do Iguaçu e duas em Cascavel, seguindo depois para São Paulo, onde ainda faria novas retiradas de mercadorias.
Durante a conferência da documentação, os policiais identificaram uma irregularidade: uma das coletas realizadas em Cascavel não possuía nota fiscal, sob a alegação de que o documento seria enviado diretamente ao destinatário em São Paulo. Diante disso, as equipes decidiram abrir as caixas e já na primeira foi encontrada maconha.
Conforme a PRF, a coleta sem nota fiscal ocorreu no bairro Jardim Itália, onde 12 caixas estavam carregadas com maconha. Já outra coleta, feita no bairro Universitário, envolvia três caixas que, apesar de terem nota fiscal indicando “hortinas” como mercadoria, escondiam haxixe com destino ao Espírito Santo.
Além das drogas, a van também transportava caixas de vinhos importados. Essa carga será encaminhada à Receita Federal para verificar se a entrada no país foi regular, já que o motorista apresentou apenas uma nota fiscal emitida por uma distribuidora de Foz do Iguaçu.
Sobre o condutor, a PRF informou que ele foi encaminhado para os procedimentos legais, mas, inicialmente, não foi possível comprovar uma ligação direta com o tráfico. O motorista apresentou conversas e documentos que indicariam que os fretes foram repassados por uma transportadora de São Paulo, responsável apenas por indicar os locais de coleta, sem contato direto com quem despachou a mercadoria.
Todo o material apreendido foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, que dará continuidade à investigação para identificar os responsáveis pelo esquema.
Leitura da situação
O caso mostra como o tráfico segue explorando brechas no transporte de cargas, usando mercadorias legais, notas fiscais e rotas comerciais comuns para tentar driblar a fiscalização. Também expõe a complexidade dessas operações, em que motoristas podem atuar como peças intermediárias, nem sempre com vínculos claros com o crime organizado.
Ao mesmo tempo, a apreensão reforça o papel estratégico das fiscalizações de rotina. Sem a abordagem na BR-277, a carga provavelmente seguiria viagem e abasteceria outros estados. O desafio agora é avançar na investigação para chegar aos verdadeiros responsáveis, desmontando a estrutura por trás do transporte, e não apenas interceptando a droga no meio do caminho.