Vírus da Unicamp: Justiça Federal solta professora acusada de furtar vírus

Uma professora da Unicamp foi presa pela PF nesta segunda (23) após invadir uma área de biossegurança nível 3 (NB-3) e furtar amostras virais. Segundo as investigações, ela levou vírus e organismos geneticamente modificados do Laboratório de Virologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o material foi recuperado e a justiça determinou sua liberdade provisória por possuir bons antecedentes.

A Justiça Federal concedeu liberdade provisória para a professora Soledad Palameta Miller, de 36 anos, que havia sido presa em flagrante pela Polícia Federal na última segunda feira (23). A docente da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) é investigada pelo furto de material biológico do Instituto de Biologia da Unicamp. O caso é considerado gravíssimo pois as amostras foram retiradas de uma área com nível 3 de biossegurança (NB 3), o patamar mais alto de proteção biológica em operação no Brasil.

A investigação teve início após a própria universidade comunicar o desaparecimento de caixas com amostras virais no dia 13 de fevereiro. Durante a operação, os agentes federais localizaram parte do material escondido em freezers dentro do prédio da FEA, onde a professora atuava. Outra parte das amostras foi encontrada descartada de forma irregular próximo aos refrigeradores, o que gerou um alerta imediato sobre os riscos de contaminação e exposição da saúde pública.

Circunstâncias e Medidas Judiciais

De acordo com os autos do processo, Soledad não possuía acesso formal aos laboratórios de virologia animal de onde o material foi subtraído. Para entrar nos locais e manipular os vírus, ela teria contado com o auxílio de terceiros e alunos que abriam as portas para que ela realizasse as movimentações sem autorização da coordenação. A Polícia Federal apura se houve fraude processual e transporte irregular de organismos geneticamente modificados.

A decisão da juíza Valdirene Ribeiro de Souza Falcão permitiu que a docente responda ao processo em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares rigorosas:

  • Comparecimento mensal obrigatório à Justiça Federal de Campinas.
  • Pagamento de fiança no valor de dois salários mínimos.
  • Proibição de se afastar da cidade por mais de cinco dias sem autorização prévia.
  • Impedimento total de acesso aos laboratórios investigados na Unicamp.

Perfil e Defesa

Soledad Palameta Miller é argentina e possui doutorado em ciências com foco em fármacos e imunomodulação. A defesa da pesquisadora sustenta que não houve crime de furto e alega que ela utilizava os laboratórios do Instituto de Biologia apenas por não possuir estrutura própria para suas pesquisas na FEA. A Reitoria da Unicamp informou que colabora integralmente com as autoridades e que instaurou uma sindicância interna para apurar falhas nos protocolos de segurança do campus.

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