Quatro meses após tentativa de feminicídio, mulher vive escondida enquanto suspeito segue foragido no Paraná

Quatro meses após sobreviver a uma tentativa de feminicídio em Apucarana, no Norte do Paraná, Sayonara da Silva afirma que continua vivendo sob medo e restrições enquanto o ex-marido, Ademar Augusto Crepe, de 58 anos, permanece foragido da Justiça.

Contra ele há um mandado de prisão preventiva expedido desde fevereiro deste ano. Apesar das buscas realizadas pelas autoridades, o suspeito ainda não foi localizado.

O caso ganhou repercussão nacional quando Sayonara escreveu uma carta para ser lida durante sua cerimônia de formatura em Administração pela Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Ela não pôde participar da solenidade porque estava escondida por questões de segurança.

Desde o crime, a rotina da vítima mudou completamente. Para se proteger, ela precisou deixar sua residência, mudar de endereço e adaptar toda a sua vida à condição de insegurança.

“Hoje, muitas atividades simples do dia a dia se tornaram difíceis ou exigem adaptações constantes. Acima de tudo, sinto falta da sensação de segurança, paz e normalidade que eu tinha antes”, relatou.

Além do impacto emocional, Sayonara afirma que sofreu prejuízos materiais. O carro em que estava durante o ataque ficou destruído e ela não possui outro veículo para se locomover. Segundo a vítima, a situação também resultou na perda de autonomia e do emprego.

Mesmo diante das dificuldades, ela reforça a importância de denunciar casos de violência doméstica.

“Gostaria que nenhuma mulher precisasse passar pelo que eu passei para entender que sua vida vale mais do que qualquer medo. Denunciar pode ser difícil, mas permanecer em silêncio pode custar muito mais”, afirmou.

Relembre o caso

A tentativa de feminicídio aconteceu em 10 de fevereiro. De acordo com a Polícia Civil, Sayonara dirigia um veículo acompanhada do filho quando teve o carro interceptado por uma caminhonete.

Segundo a investigação, o veículo foi atingido e lançado contra um poste de iluminação pública. Com o impacto, a estrutura de concreto caiu sobre o automóvel.

Testemunhas e a própria vítima identificaram Ademar Augusto Crepe como o motorista da caminhonete.

Ainda conforme o boletim de ocorrência, após a colisão o suspeito teria apontado uma arma de fogo para Sayonara e ameaçado matá-la. A vítima relatou que ele chegou a acionar o gatilho de um revólver, mas o disparo não ocorreu.

Após a ação, o homem fugiu do local. Sayonara e o filho receberam atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade.

Dois dias depois, a Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito, que segue sendo procurado pelas forças de segurança.

Violência contra a mulher

Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) apontam que o Paraná registrou 87 feminicídios em 2025. Em 2024, foram contabilizadas 109 mortes de mulheres em crimes relacionados à violência doméstica e ao gênero.

Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas gratuitamente pelo telefone 180, disponível 24 horas por dia em todo o país.

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