Família de adolescente apreendido após morte da mãe diz ter procurado autoridades por meses

Familiares de um adolescente brasileiro de 15 anos apreendido em Portugal após a morte da própria mãe afirmam que procuraram autoridades portuguesas e brasileiras durante meses para alertar sobre problemas dentro da residência onde ele vivia com a mãe e uma irmã de quatro anos.

A vítima, Gabriela Barbosa, de 33 anos, morreu em Oeiras. Segundo a Polícia de Segurança Pública de Portugal, o adolescente é suspeito de tê-la sufocado após uma discussão na noite de 13 de agosto. Ele permaneceu no apartamento no dia seguinte e se entregou às autoridades na tarde de 14 de agosto.

Reportagem do UOL, baseada em e-mails aos quais o veículo teve acesso, informa que os alertas começaram em 18 de abril. As mensagens foram encaminhadas pela família paterna à polícia portuguesa, ao Itamaraty e a órgãos de proteção à infância de Oeiras.

Os familiares afirmavam que as duas crianças viviam em condições inadequadas. O pai estava preso preventivamente em Portugal desde abril de 2025, acusado de violência doméstica contra Gabriela, e parentes alegavam preocupação com períodos em que os filhos permaneceriam sem supervisão. Posteriormente, segundo os documentos obtidos pelo UOL, o adolescente também teria relatado agressões e ameaças.

O jovem chegou a procurar a polícia pessoalmente e teria feito contatos posteriores para perguntar sobre o andamento do caso. A família sustenta que as respostas foram demoradas e insuficientes. Assistentes sociais chegaram a realizar uma reunião virtual com familiares.

A Polícia de Segurança Pública apresentou outra perspectiva. Em nota ao UOL, informou que houve ao menos quatro ocorrências envolvendo a família e que as situações foram comunicadas às entidades competentes. Uma denúncia de abandono materno, por exemplo, não teria sido confirmada após verificação policial.

A corporação também afirmou que Gabriela e o filho haviam sido ouvidos e que existiam compromissos relacionados a acompanhamento clínico, uso de medicação, frequência escolar, atividade esportiva e mudanças na relação entre mãe e filho.

Segundo a polícia, alternativas ao ambiente materno também estavam sendo analisadas, incluindo a possibilidade de as crianças retornarem ao Brasil para viver com parentes paternos. A instituição negou ter tentado impedir o adolescente de apresentar uma denúncia e afirmou que o caso já estava sinalizado aos serviços especializados e ao tribunal competente.

O UOL informou ter procurado ainda o Itamaraty, o Ministério Público português e o Núcleo de Infância e Juventude de Oeiras para esclarecer quais providências haviam sido adotadas diante dos alertas.

Após a morte de Gabriela, o adolescente permaneceu apreendido e deverá ser submetido a medidas tutelares previstas pela legislação portuguesa. Por ter 15 anos, ele não responde criminalmente pelo homicídio da mesma forma que um adulto.

Enquanto isso, a situação da irmã de quatro anos também passou a ser discutida. A avó e uma tia paterna viajaram a Portugal com o objetivo de buscar a guarda da criança, que ficou sob tutela estatal.

O caso, portanto, vai além da investigação da morte. Os documentos revelados levantam questionamentos sobre o acompanhamento prévio da família e sobre quais medidas foram tomadas depois de sucessivos alertas. Ao mesmo tempo, a versão das autoridades mostra que o núcleo familiar já era acompanhado, embora isso não tenha impedido o desfecho ocorrido em agosto.

Veja também

Família de adolescente apreendido após morte da mãe diz ter procurado autoridades por meses