Fernando Haddad (PT) iniciou oficialmente sua campanha ao governo de São Paulo nesta segunda-feira (17) com uma caminhada no centro da capital e colocou o combate à violência contra as mulheres entre os primeiros temas de sua campanha.
Durante o ato, o candidato afirmou que pretende adotar novas estratégias de inteligência na segurança pública e utilizar ferramentas de inteligência artificial para ajudar a prevenir casos de violência doméstica e reduzir os índices de feminicídio no estado.
Haddad participou da caminhada acompanhado da esposa, Ana Estela, das candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), além de militantes, apoiadores e outras lideranças.
O petista criticou a política de segurança pública da gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e afirmou que o estado precisa desenvolver mecanismos mais específicos para antecipar riscos enfrentados por mulheres.
A reportagem do UOL que acompanhou o ato, no entanto, não detalhou qual tecnologia de inteligência artificial seria utilizada, quais bancos de dados alimentariam o sistema, como seriam identificadas situações de risco ou quanto custaria a implantação da proposta.
Esses pontos serão importantes para avaliar o projeto à medida que a campanha apresentar um plano mais completo. Sistemas que utilizam dados para identificar riscos podem auxiliar políticas públicas, mas sua aplicação exige critérios claros de funcionamento, proteção de informações pessoais e definição sobre como alertas seriam transformados em ações de segurança.
Por enquanto, portanto, o uso de IA aparece como uma proposta de campanha e não como um programa já detalhado tecnicamente.

Simone Tebet também aproveitou o evento para abordar a estrutura de atendimento às mulheres. Ela afirmou que muitas delegacias especializadas encerram o atendimento às 19h e defendeu ampliação de recursos destinados ao combate à violência doméstica. A afirmação sobre os horários foi feita pela própria candidata durante o ato.
A deputada federal Érika Hilton (PSOL), candidata à reeleição, defendeu aumento da quantidade de casas de apoio e ajuda financeira para mulheres que precisam deixar ambientes violentos.
A caminhada também acabou marcada por um episódio envolvendo Marina Silva. Um homem avançou contra a candidata ao Senado, chegou a encostar nela e foi afastado por assessores da campanha. Ele ainda não havia sido identificado quando a ocorrência foi divulgada.
O fato acabou reforçando, no próprio evento, o debate sobre violência e segurança que havia sido escolhido como pauta para a abertura da campanha.
Haddad entra agora na fase de exposição pública das propostas e deverá ser cobrado por detalhes sobre como pretende aplicar inteligência artificial na segurança. Questões como integração com delegacias, medidas protetivas, serviços de assistência e atuação policial deverão definir se a ideia poderá funcionar como ferramenta concreta ou permanecer apenas como uma promessa tecnológica.
A campanha eleitoral seguirá nos próximos meses, período em que candidatos terão de transformar slogans e propostas gerais em projetos que possam ser comparados pelo eleitor.



