PF investiga fraudes no Banco Digimais, do bispo Edir Macedo e bloqueia até R$ 670 milhões

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem, que investiga suspeitas de fraudes no sistema financeiro envolvendo o Banco Digimais. A ação foi autorizada pela Justiça Federal e resultou no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e valores ligados aos investigados.

Segundo a Polícia Federal, a apuração teve origem em relatórios produzidos pelo Banco Central que apontam indícios de manipulação de documentos financeiros para ocultar um déficit estimado em R$ 8,5 bilhões.

Documentos foram apreendidos na sede da instituição financeira durante a operação.

De acordo com os investigadores, parte das supostas irregularidades envolveria aplicações em fundos de investimento e mecanismos destinados a apresentar uma situação financeira diferente da realidade. A Polícia Federal afirma que as operações estão sendo analisadas para identificar a extensão dos prejuízos e os responsáveis pelas movimentações.

A decisão judicial também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

O Banco Digimais pertence ao grupo empresarial ligado ao bispo Edir Macedo. O líder religioso não foi alvo da operação, segundo a Polícia Federal, porque atualmente reside fora do Brasil.

A investigação ocorre em um momento sensível para a instituição. Em abril, o BTG Pactual anunciou ao mercado um acordo para aquisição do Banco Digimais. A operação ainda depende de aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Em nota publicada em seu site oficial, o Digimais afirmou que reportagens sobre supostas irregularidades não correspondem à realidade e criticou a divulgação das informações. O banco declarou que continua operando normalmente e permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

A Operação Miragem segue em andamento e novas medidas poderão ser adotadas conforme o avanço das investigações.

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