Dívida pública chega a R$ 10,8 trilhões e atinge maior nível em mais de cinco anos

A Dívida Bruta do Governo Geral chegou a 81,9% do Produto Intern Interno Bruto em junho de 2026, o equivalente a aproximadamente R$ 10,8 trilhões. O resultado representa uma alta de 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior e coloca o endividamento brasileiro no maior nível registrado desde 2021.

A dívida bruta reúne os compromissos financeiros do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social, dos estados e dos municípios. O indicador é acompanhado por investidores, economistas e instituições internacionais porque ajuda a medir a capacidade do setor público de manter seus pagamentos e financiar as despesas ao longo do tempo.

Desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023, a relação entre dívida e PIB aumentou 10,2 pontos percentuais. O indicador estava em 71,7% do PIB no fim de 2022 e avançou para 81,9% em junho deste ano.

Segundo o Banco Central, o crescimento registrado em junho foi provocado principalmente pela incorporação dos juros sobre a dívida, que acrescentou 0,8 ponto percentual ao indicador, e pelas novas emissões, responsáveis por outros 0,6 ponto. O crescimento nominal do PIB ajudou a reduzir parcialmente o avanço, com efeito negativo de 0,5 ponto percentual.

Somente nos seis primeiros meses de 2026, a dívida bruta cresceu 3,3 pontos percentuais do PIB. Os juros acrescentaram 4,9 pontos ao indicador, enquanto as novas emissões contribuíram com 1,3 ponto. O crescimento da economia e a variação cambial compensaram parte desse aumento.

As despesas com juros também apresentaram forte crescimento. Em junho, os juros nominais do setor público somaram R$ 110,7 bilhões, contra R$ 61 bilhões no mesmo mês de 2025. No acumulado de 12 meses, essa despesa chegou a R$ 1,16 trilhão, o equivalente a 8,8% do PIB.

O resultado primário, que considera receitas e despesas antes dos juros, ficou negativo em R$ 55,3 bilhões em junho. No mesmo mês do ano anterior, o déficit havia sido de R$ 47,1 bilhões. Em 12 meses, o setor público acumulou resultado negativo de R$ 157,2 bilhões, correspondente a 1,19% do PIB.

Quando os juros são incluídos, o chamado déficit nominal chegou a R$ 166 bilhões somente em junho. No acumulado de 12 meses, o rombo alcançou R$ 1,32 trilhão, praticamente 10% de tudo o que o país produz em um ano. Esse foi o maior percentual registrado desde 2021, quando as contas públicas ainda eram afetadas pelos gastos extraordinários relacionados à pandemia.

A Dívida Líquida do Setor Público, que desconta ativos e créditos do governo, também aumentou. O indicador chegou a 68,5% do PIB, ou aproximadamente R$ 9 trilhões, com crescimento de 0,6 ponto percentual no mês.

O aumento da dívida traz consequências para a economia porque amplia a necessidade de financiamento do governo. Quando os investidores percebem maior risco fiscal, podem exigir juros mais altos para comprar títulos públicos. Isso encarece a administração da dívida e reduz o espaço disponível no orçamento para investimentos, políticas públicas e serviços destinados à população.

A taxa básica de juros também influencia diretamente esse cenário. De acordo com cálculos do Banco Central, uma redução de um ponto percentual na Selic, mantida durante 12 meses, teria potencial para diminuir a dívida bruta em aproximadamente R$ 60,6 bilhões, ou 0,46 ponto percentual do PIB. O efeito real, porém, depende do comportamento da inflação, das receitas, das despesas e da atividade econômica.

As projeções reunidas pelo Ministério da Fazenda indicavam, em julho, uma dívida bruta próxima de 83% do PIB ao final de 2026. O Tesouro Nacional também reconhece um cenário desafiador, com expectativa de crescimento do endividamento no curto prazo e necessidade de medidas que ampliem receitas ou controlem despesas para buscar uma estabilização nos próximos anos.

Veja também

Dívida pública chega a R$ 10,8 trilhões e atinge maior nível em mais de cinco anos