Gaeco investiga propina envolvendo policiais rodoviários e prende ex-comandante

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, deflagrou nesta quinta-feira (13) duas operações para investigar suspeitas de corrupção envolvendo policiais rodoviários estaduais no Paraná. As ações são conduzidas pelos núcleos de Guarapuava e Ponta Grossa do Ministério Público do Paraná.

As operações, chamadas Rota 466 e Via Pix, cumprem mandados em diferentes municípios e investigam suspeitas de cobrança de propina durante fiscalizações rodoviárias. As medidas incluem buscas, bloqueios de contas, afastamento de policiais das funções operacionais e uma prisão preventiva.

Na segunda fase da Operação Rota 466, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, três ordens de busca pessoal e um mandado de prisão. As diligências ocorreram em Guarapuava, Imbituva, Ponta Grossa, Laranjeiras do Sul, Guaraniaçu, no Oeste do Paraná, e Pitanga.

Segundo o Gaeco, a investigação aponta que policiais teriam exigido pagamentos de motoristas flagrados cometendo infrações de trânsito. Também são apuradas cobranças feitas a pessoas que trabalhavam no salvamento de cargas após tombamentos de caminhões.

Um ex-comandante de posto da Polícia Rodoviária Estadual de Guarapuava foi preso preventivamente. Conforme a investigação, ele teria recebido pelo menos R$ 47 mil em propina e também é suspeito de tentar dificultar as apurações. A prisão é cautelar e não representa condenação.

Paralelamente, a Operação Via Pix cumpriu outros 19 mandados de busca e apreensão em Ponta Grossa, Castro, Piraí do Sul, Telêmaco Borba, Jaguariaíva, Arapoti, Wenceslau Braz e Siqueira Campos. Sete policiais rodoviários estaduais foram afastados das atividades operacionais.

As apurações começaram depois que motoristas profissionais procuraram o Ministério Público para relatar supostas cobranças indevidas durante fiscalizações. O Gaeco afirma ter identificado quase 100 condutores que teriam feito pagamentos exigidos pelos agentes investigados.

Uma das formas de pagamento teria sido o Pix. Segundo os investigadores, os valores eram direcionados inclusive para contas bancárias de terceiros, mecanismo que agora faz parte da análise sobre a movimentação financeira dos suspeitos.

Entre dezembro de 2024 e agosto de 2025, o Gaeco estima que aproximadamente R$ 140 mil tenham sido recebidos ilegalmente por meio dessas transferências. Os valores ainda fazem parte da investigação e não significam que todos os policiais citados tenham a mesma participação ou responsabilidade.

Os possíveis crimes investigados incluem concussão, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A responsabilização deverá ser individualizada conforme as provas reunidas contra cada investigado.

O caso tem impacto direto sobre a confiança nas fiscalizações realizadas nas rodovias estaduais. A função dos agentes é justamente garantir segurança e cumprimento das normas; por isso, suspeitas de cobrança ilegal exigem apuração rigorosa e transparência, ao mesmo tempo em que os investigados mantêm direito à defesa.

As investigações continuam, e os nomes dos demais alvos não foram divulgados oficialmente. Novas etapas poderão ocorrer conforme o Gaeco avance na análise dos materiais recolhidos durante as buscas desta quinta-feira.

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