A colheita da segunda safra de milho chegou a 85% da área cultivada no Centro-Sul do Brasil até a última quinta-feira, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (17) pela consultoria AgRural.
O percentual representa avanço de seis pontos em apenas uma semana, já que o levantamento anterior apontava 79% da área colhida. Apesar da evolução, o ritmo segue atrás do registrado no mesmo período de 2025, quando os trabalhos já alcançavam 94%.
A diferença mostra que a retirada do milho das lavouras está nove pontos percentuais atrasada em relação ao ano passado no conjunto dos estados acompanhados.
A situação, porém, não é uniforme. Segundo a AgRural, a colheita está praticamente encerrada em Mato Grosso, maior estado produtor, enquanto Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Goiás apresentaram bom avanço durante a última semana.
O Paraná aparece como principal ponto negativo no levantamento mais recente. O excesso de umidade continuou dificultando a entrada das máquinas nas áreas de produção, reduzindo a velocidade dos trabalhos.
Para agricultores, a presença de umidade acima do desejado não afeta apenas o calendário. As máquinas precisam de condições adequadas para entrar nas lavouras, e sucessivos períodos chuvosos podem provocar interrupções na operação mesmo quando o milho já atingiu o estágio de colheita.
A informação tem importância especial para o Paraná porque o estado está entre os principais produtores nacionais do cereal. O atraso local contrasta com regiões onde a segunda safra já se aproxima do encerramento.

Com 85% colhidos no Centro-Sul, restam aproximadamente 15% da área monitorada pela AgRural. A velocidade dessa etapa final dependerá especialmente das condições meteorológicas nos estados onde ainda existe volume relevante no campo.
Ao mesmo tempo em que a safra de inverno caminha para a conclusão, um novo ciclo já começou.
A AgRural informou que o plantio do milho de verão da temporada 2026/27 teve início no Rio Grande do Sul. Até o levantamento, 0,3% da área estimada no estado estava semeada. No mesmo momento do ano passado, o índice era de 1,6%.
Isso faz com que duas safras estejam, na prática, ocupando simultaneamente a atenção do setor: a conclusão da segunda safra de 2025/26 e a implantação do milho de verão de 2026/27.
O ritmo das próximas semanas ajudará a determinar quando a colheita da safrinha será efetivamente encerrada e se o atraso observado no Paraná será recuperado.
No momento, o cenário nacional é de avanço consistente, mas ainda abaixo do ano anterior. Para o Paraná, a principal variável continua sendo o clima: sem uma janela adequada de tempo seco, produtores podem encontrar novas dificuldades para colocar as máquinas no campo e concluir os trabalhos.



