O Hospital Bom Jesus, em Toledo, realizou nesta terça-feira (1º) uma nova captação de órgãos e tecidos para transplante após a família de um paciente de 68 anos autorizar a doação. O procedimento marcou o início do Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos.
O protocolo havia sido concluído na segunda-feira (31), depois da confirmação da morte encefálica do paciente. Segundo as informações divulgadas pelo hospital, ele havia sofrido um acidente vascular encefálico isquêmico decorrente de complicações cardiovasculares.
A captação foi coordenada pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante, a CIHDOTT, da Hoesp/Hospital Bom Jesus.
Mesmo diante da perda, a família autorizou que órgãos e tecidos fossem destinados ao sistema estadual de transplantes do Paraná. A instituição não detalhou publicamente todos os órgãos captados, por isso essa informação não deve ser ampliada além do que foi oficialmente divulgado.
O hospital explicou que os tecidos e órgãos retirados poderão beneficiar pessoas que aguardam por transplante. As córneas foram citadas como exemplo de tecido capaz de devolver visão e autonomia a pacientes que estão na fila.
O procedimento desta terça-feira acontece depois de um mês considerado histórico pela própria instituição.
Durante agosto, o Hospital Bom Jesus registrou cinco protocolos de morte encefálica. Em todos os cinco casos, as famílias autorizaram a doação, resultando em 100% de autorização familiar no mês. Segundo a CIHDOTT, esse índice representa um recorde para o hospital.
O resultado chama atenção porque a autorização da família é uma etapa fundamental para que a doação aconteça no Brasil.

Mesmo quando uma pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora, é a conversa com os familiares que viabiliza o processo depois da confirmação da morte encefálica. Por isso, campanhas do Setembro Verde também incentivam as pessoas a conversarem previamente com parentes sobre a própria vontade.
A morte encefálica não deve ser confundida com coma. Ela representa a interrupção irreversível das funções cerebrais e é confirmada por um protocolo médico específico, com avaliações clínicas e exames complementares. Somente depois dessa confirmação a possibilidade de doação é apresentada à família.
O trabalho realizado em Toledo integra uma estrutura regional mais ampla.
O Hospital Bom Jesus atua dentro da Macro-Oeste, que reúne serviços de municípios como Cascavel, Foz do Iguaçu, Toledo, Pato Branco e Francisco Beltrão. A instituição recebeu recentemente reconhecimento pelo trabalho desenvolvido na área de captação de órgãos.
Na prática, uma captação realizada em Toledo pode beneficiar pacientes que aguardam transplantes em outras localidades, conforme a organização e os critérios técnicos do sistema estadual.
O destino dos órgãos não é definido diretamente pela família doadora ou pelo hospital, mas pelo sistema responsável pela fila e compatibilidade dos receptores.
Para as famílias, a decisão acontece em um momento de extrema vulnerabilidade. Por isso, o trabalho das equipes envolve não apenas aspectos médicos, mas também acolhimento e esclarecimento sobre o diagnóstico e o processo de doação.
Com o novo procedimento desta terça-feira, setembro começa em Toledo com mais uma autorização familiar depois do índice de 100% registrado em agosto.
A instituição reforça que conversar sobre o tema antes de uma situação de emergência pode ajudar os familiares a conhecerem a vontade do potencial doador e tornar uma decisão difícil mais consciente.



