A trajetória de Mateus José Mendes Parreira, aluno do Infantil V da Escola Municipal da Transparência I, ganhou destaque em Cascavel pelos avanços conquistados ao longo do ano letivo. O desenvolvimento da criança foi acompanhado por professores, profissionais da Educação em Tempo Integral e pelo setor de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação.
Mateus foi diagnosticado com câncer cerebral e precisou passar por uma cirurgia para retirada de um tumor de fossa posterior, identificado como astrocitoma pilocítico. Depois do procedimento, a criança apresentou sequelas motoras e paralisia facial parcial no lado esquerdo.
Quando começou o ano letivo, em fevereiro, Mateus utilizava cadeira de rodas, tinha dificuldade para permanecer em pé, usava fraldas e precisava de cuidados específicos durante a alimentação. Os líquidos precisavam receber espessante, enquanto os alimentos eram oferecidos em consistência pastosa.
Diante das necessidades apresentadas, a equipe da Escola Municipal da Transparência I organizou um acompanhamento diário para permitir que o aluno participasse das atividades e desenvolvesse maior autonomia dentro do ambiente escolar.
Professores, instrutores e demais profissionais passaram a incorporar estímulos às atividades cotidianas. O trabalho foi desenvolvido respeitando o ritmo, os limites e as condições da criança, sem deixar de incentivar sua participação na rotina da turma.
Em aproximadamente cinco meses, Mateus apresentou avanços que emocionaram a comunidade escolar. Ele passou a se deslocar pelos espaços da instituição, deixou de utilizar a cadeira de rodas e conquistou maior independência em diferentes tarefas.
A criança também evoluiu na coordenação motora fina, passou a consumir alimentos sólidos e deixou de usar fraldas. Atualmente, ainda conta com o acompanhamento de um adulto para ter maior segurança nos deslocamentos, mas já consegue permanecer em pé e caminhar sozinho durante alguns minutos.

A coordenadora pedagógica Valdirene Cristina da Silva afirmou que a experiência também transformou os profissionais da escola. Segundo ela, o início foi marcado por receios e dúvidas porque a situação era nova para a equipe.
Com o passar dos meses, os servidores buscaram alternativas, observaram cada evolução e adaptaram as estratégias utilizadas em sala. Para a coordenadora, os resultados mostram a importância do trabalho coletivo e da disposição para encontrar caminhos que permitam a participação dos alunos.
A história também evidencia que a inclusão escolar não depende apenas da matrícula. Para que a criança participe efetivamente, são necessárias adaptações, acompanhamento, planejamento e diálogo entre professores, família, profissionais especializados e demais servidores.
No caso de Mateus, os avanços ocorreram dentro de um processo que combinou o trabalho escolar com as demais formas de acompanhamento necessárias à recuperação. A publicação não detalha os tratamentos médicos realizados fora da escola, por isso não é possível atribuir a evolução exclusivamente às atividades educacionais.
O papel da escola foi oferecer um ambiente seguro, acolhedor e preparado para estimular a autonomia. Além das conquistas motoras, a convivência com outras crianças permite que o aluno participe de brincadeiras, atividades pedagógicas e momentos comuns da rotina escolar.
A evolução ainda continua sendo acompanhada. Mateus necessita de apoio para alguns deslocamentos, mas as mudanças registradas desde fevereiro mostram uma ampliação significativa de sua independência.
Para a comunidade escolar, cada avanço representa o resultado de uma atuação conjunta. A experiência deverá servir de referência para a construção de novas estratégias de inclusão dentro da própria rede municipal de Cascavel.



