Cascavel vive hoje um dos melhores momentos de sua história recente na educação pública. Os números mostram isso de forma clara: o município alcançou a maior nota já registrada no IDEB da rede municipal, superou antecipadamente a meta projetada pelo MEC para 2030, avançou dezenas de posições nos rankings nacionais e vem ampliando investimentos em infraestrutura escolar e valorização da rede.
De acordo com o Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM), elaborado pela consultoria Macroplan, Cascavel deu um salto histórico de 24 posições na última década, ocupando hoje a 26ª posição nacional em qualidade de educação entre as 100 maiores cidades do país. No ranking geral de serviços públicos, a cidade brilha na 6ª posição do Brasil.
O reflexo disso está no aprendizado real das crianças:
- IDEB Histórico: Em 2023, o município atingiu a nota recorde de 6,8 nos anos iniciais do Ensino Fundamental, superando de forma antecipada a meta que o Ministério da Educação havia projetado apenas para o ano de 2030.
- Alfabetização no Topo: A rede municipal alcançou a marca de 84,2% de crianças plenamente alfabetizadas já no 2º ano, colocando a cidade em destaque absoluto no Paraná.
Além disso, o argumento de abandono estrutural colide de frente com os tijolos e o concreto. A prefeitura mantém hoje R$ 55 milhões investidos diretamente em 48 obras de reforma, ampliação e construção de novas escolas e CMEIs. O planejamento administrativo vai além, projetando o aporte de R$ 120 milhões até 2028 para expandir a capacidade da rede para 36 mil estudantes. É impossível conciliar esses recordes de investimentos e notas históricas com a palavra “caos” pintada pelo sindicato.
Mesmo diante desse cenário, o sindicato dos professores insiste em apresentar uma narrativa de sucateamento e abandono da educação municipal. A contradição é evidente. Se realmente houvesse um processo sistemático de desmonte da rede, seria natural esperar queda nos indicadores de aprendizagem, piora na qualidade do ensino e retrocesso na gestão. O que aconteceu foi justamente o contrário.
A espinha dorsal do movimento grevista é a narrativa do sufoco salarial. Mas os contracheques e os balanços contábeis mostram uma das políticas de valorização mais agressivas do estado do Paraná. Desde janeiro de 2021, o crescimento real acumulado da folha de pagamento dos professores de Cascavel atingiu impressionantes +125,91%. No mesmo período, a inflação acumulada foi de 36%. Ou seja, os salários da categoria cresceram 3,5 vezes acima da inflação. Isso inclui aumentos consecutivos e reais concedidos em 2025 (7,86%) e em maio de 2026 (5,4%).
Isso não significa que professores não possam reivindicar melhores salários ou condições de trabalho. Toda categoria profissional tem esse direito. O problema surge quando uma pauta legítima é transformada em um discurso que ignora completamente a realidade demonstrada pelos próprios números oficiais.
Outro aspecto que merece atenção é a proximidade entre lideranças sindicais e setores da oposição política local. A participação recorrente de parlamentares, dirigentes partidários e representantes sindicais nos mesmos espaços de mobilização faz surgir um questionamento inevitável: até que ponto a greve busca exclusivamente defender interesses da categoria e até que ponto também serve como instrumento de desgaste do governo municipal?
Essa dúvida ganha ainda mais força quando se observa que a estratégia adotada prioriza discursos alarmistas justamente em um momento em que os indicadores da educação caminham na direção oposta. Enquanto os dados mostram evolução, a narrativa insiste em pintar um cenário de colapso.
Historicamente, sindicatos sempre exerceram papel político relevante no Brasil. Isso faz parte da própria formação do movimento sindical moderno e não constitui novidade. O problema aparece quando o debate deixa de ser baseado em fatos e passa a ser sustentado por uma percepção que contradiz os resultados concretos apresentados à população.
No fim das contas, quem paga a conta desse conflito são as famílias e os estudantes. Pais precisam reorganizar suas rotinas, crianças ficam sem aula e o calendário escolar sofre interrupções enquanto a cidade registra avanços reconhecidos nacionalmente justamente na área que está sendo apresentada como abandonada.
A crítica ao governo é parte legítima da democracia. Mas ela precisa encontrar respaldo na realidade. Quando os indicadores apontam crescimento, investimento e melhora na qualidade do ensino, insistir em uma narrativa de crise permanente corre o risco de transformar uma reivindicação trabalhista em um instrumento de disputa política, afastando o debate das necessidades reais da população.



