Flávio fica dez pontos atrás de Lula entre mulheres e prepara reação da campanha

Datafolha mostra Lula com 50% e Flávio com 40% entre eleitoras no segundo turno; escolha da vice e agenda econômica devem ganhar espaço.

A candidatura de Flávio Bolsonaro enfrenta uma diferença de dez pontos entre as mulheres. No cenário de segundo turno medido pelo Datafolha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 50% nesse segmento, contra 40% do candidato do PL.

Entre os homens, o quadro é diferente. Flávio tem 46% e Lula registra 45%, uma diferença dentro da margem de erro.

No conjunto do eleitorado, Lula aparece com 48% e Flávio com 43%. Outros 9% afirmam que votariam em branco ou anulariam o voto, enquanto 1% não respondeu.

A pesquisa ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre 22 e 24 de julho. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais. Nos recortes por sexo, sobe para três pontos. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-01166/2026.

Rejeição feminina ainda preocupa a campanha

O Datafolha também perguntou em quais candidatos os entrevistados não votariam de jeito nenhum. Entre as mulheres, 50% rejeitam Flávio e 44% rejeitam Lula.

A diferença diminuiu. Em junho, a distância entre os dois no segundo turno feminino era de 15 pontos. Agora são dez. Na rejeição, a vantagem negativa de Flávio sobre Lula caiu de 13 para seis pontos.

Isso indica que o problema persiste, mas não está congelado.

Segundo a Folha, integrantes da campanha trabalham com três eixos para reduzir essa resistência: dificuldades econômicas enfrentadas pelas mulheres, estímulo ao empreendedorismo, responsabilidade fiscal e combate ao crime.

A candidatura também considera colocar uma mulher na vaga de vice. O nome ainda não foi definido.

Relação com Trump produz efeito ambíguo

Outro recorte do Datafolha mostra que 52% dos entrevistados acreditam que Donald Trump age para beneficiar Flávio Bolsonaro. Outros 37% discordam e 11% não souberam responder.

A aproximação com Trump fortalece Flávio entre conservadores e amplia sua projeção internacional. Ao mesmo tempo, oferece ao governo Lula espaço para apresentar a eleição como uma disputa entre interesses nacionais e interferência estrangeira.

Quando perguntados sobre quem tem mais razão na controvérsia envolvendo o governo norte-americano, 34% escolheram Lula e 26% ficaram com Flávio. Outros 24% disseram que nenhum dos dois está correto.

A mesma pesquisa mostra que 74% preferem uma negociação com os Estados Unidos para tentar reverter as tarifas impostas ao Brasil. Apenas 17% defendem uma resposta com tarifas equivalentes.

O que os números mudam na campanha

Os dados sugerem que Flávio precisa ampliar seu discurso para além do eleitorado conservador masculino. A vice, as propostas econômicas para mulheres e o tom adotado na relação com os Estados Unidos serão sinais importantes dessa tentativa.

Essa conclusão é uma inferência eleitoral baseada nos números. Não significa que a escolha de uma vice mulher, isoladamente, seja suficiente para alterar o voto feminino.

A próxima etapa será observar se a campanha apresenta propostas concretas e mensuráveis ou se mantém a estratégia concentrada na identidade bolsonarista e nos apoios internacionais.

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