A nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, colocou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, no centro de uma investigação e provocou um impacto político imediato em Brasília. A ação atingiu um dos aliados mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e enfraqueceu a estratégia adotada por integrantes do PT de associar o caso Banco Master apenas a nomes ligados à oposição.
Segundo a representação da Polícia Federal, Wagner aparece como o possível beneficiário de vantagens patrimoniais e financeiras que estariam relacionadas à atuação em temas de interesse do Banco Master. Entre os elementos citados pelos investigadores estão a aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador, repasses financeiros para empresas ligadas ao núcleo familiar do senador e o recebimento de benefícios como hospedagens e uso de aeronaves particulares.
A investigação ainda está em andamento e não há condenação contra o parlamentar. Mesmo assim, o avanço das apurações abriu uma nova frente de desgaste para o governo federal, que já enfrenta pressão da oposição para explicar a relação entre o banco e integrantes da base governista.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a operação foi recebida com preocupação. Jaques Wagner ocupa posição estratégica no terceiro mandato de Lula e é responsável por parte importante da articulação política do governo no Senado.
Até a deflagração da nova fase da operação, aliados do governo tentavam apresentar o caso Banco Master como um problema relacionado principalmente a personagens do campo bolsonarista. Com a inclusão do líder do governo entre os investigados, essa narrativa perdeu força e passou a enfrentar questionamentos dentro e fora do Congresso.
Apesar da repercussão, os primeiros sinais emitidos pelo Planalto indicam que Lula não pretende afastar Wagner da liderança do governo no Senado. A avaliação de integrantes do governo é que o senador continua sendo peça fundamental na relação entre o Executivo e o Congresso Nacional.
A oposição, por sua vez, passou a explorar politicamente o episódio e tenta recolocar o tema da corrupção no centro do debate público. Parlamentares contrários ao governo passaram a usar o termo “PT Master” para se referir ao caso, numa tentativa de inverter a narrativa que vinha sendo construída nos últimos meses.
A Polícia Federal afirma que a investigação está concentrada em três frentes principais: a compra de um imóvel de alto padrão em Salvador, repasses milionários a empresas ligadas à família do senador e possíveis benefícios concedidos em troca de atuação parlamentar em assuntos de interesse do Banco Master.
O caso segue em apuração e pode gerar novos desdobramentos políticos nas próximas semanas.



