Polícia prende vereador do PT suspeito de ligação com o PCC em São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público estadual deflagraram na manhã desta quinta feira a Operação Última Parada. A ação resultou na prisão do vereador Senival Moura, do Partido dos Trabalhadores, suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital através da empresa de ônibus Transunião, concessionária do transporte coletivo na capital paulista.

A força tarefa cumpriu mandados em diversas cidades paulistas e no município de Extrema, em Minas Gerais. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de 194 milhões de reais em contas bancárias ligadas aos investigados e à companhia, além da indisponibilidade de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.

Infiltração no Setor e o Escritório Político como QG

As investigações do Gaeco e do Deic apontam que a Transunião era controlada por um núcleo paralelo oculto, que tomava decisões estratégicas e desviava recursos da empresa diretamente para integrantes do PCC. De acordo com o inquérito, o capital social da concessionária saltou de pouco mais de 100 mil reais para mais de 50 milhas sem origem declarada.

O Ministério Público detalhou que Senival Moura, que exercia o sexto mandato consecutivo na Câmara Municipal de São Paulo, utilizava seu próprio escritório político para gerenciar e armazenar planilhas informais com o controle da frota e do fluxo de caixa da empresa de transporte. O parlamentar também presidia na Câmara a Comissão de Trânsito e Transporte, justamente o órgão responsável por fiscalizar o setor rodoviário municipal.

O Estopim da Investigação

A apuração sobre a lavagem de dinheiro começou a avançar a partir de outra ocorrência de violência. Em 2020, Adauto Soares Jorge, então dirigente financeiro da Transunião, foi assassinado. Na época, os policiais apreenderam registros e documentos informais que revelaram os indícios de ocultação de patrimônio por trás da operação de ônibus.

Apenas no ano de 2025, a Transunião auferiu mais de 300 milhões de reais do sistema público de transporte municipal. A empresa é responsável por operar 51 linhas na Zona Leste da cidade, transportando diariamente cerca de 389 mil passageiros.

Reações Políticas e Defesa

O diretório municipal do PT em São Paulo informou que o caso foi imediatamente encaminhado para a Comissão de Ética do partido para a avaliação de medidas disciplinares cabíveis, incluindo o afastamento cautelar ou a expulsão definitiva do filiado.

Em nota, a defesa do vereador expressou indignação com a ordem de prisão temporária, classificando a medida como desnecessária por ter sido determinada às vésperas do período eleitoral. A Prefeitura de São Paulo garantiu que a operação das linhas da Transunião segue funcionando normalmente sem gerar prejuízos imediatos ao atendimento da população usuária do transporte coletivo na capital.

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